terça-feira, 18 de setembro de 2012

Personagens de uma pequena Vila



  Fui ao cinema assistir Fausto de Goethe. Além de contemplar a bela fotografia , fiquei imaginando aquela época, a vida no século XIX, na Alemanha. A passagem de um século para outro. Os personagens Mefistofilis e Fausto existindo de verdade naquele contexto. Quando lemos imaginamos, o cinema mostra e você vê a história viva na tela. Passeavam pela vila, iam a padaria, a venda, ao bar, no bosque. Viviam como as pessoas de hoje, claro, nas condições daquela época, e dos personagens que eram. Um era um diabo e o outro um médico doido! Dividiam a mesma vila alemã com os outros alemães “normais”. Embora se notasse bem que eram caras diferentões, esquisitos, como tantos que vemos por São Paulo.
   Esta cidade em que vivo tem hoje quase 20 milhões de habitantes. Dentro desta mesma cidade tem incontáveis vilas, vilarejos, comunidades, favelas e até mesmo outras cidades dentro de uma Sampa só. Eu escrevo sobre a minha vila. A que eu vivo. Eu venho do Bonfa, mas circulo da zona oeste, a sul e centro. E dentro deste circuito, consigo as vezes me sentir vivendo em uma vila pequenina do século XIX. Encontro as mesmas pessoas nos teatros, bares, vernissages que freqüento. Nas avenidas, ruelas, parques, se tornam pequenas, onde todos se conhecem ou já se viram antes.

 Consegui identificar uns tipos esquisitões na minha vila. Possíveis Faustos e Mefistófilis. Eles existem de verdade. Vou descrevê-los como vejo e como se comportam aos meus olhos! Espero que eles não fiquem bravos comigo... pois os encontro sempre.

 Tem a louca histérica. Ela é catadora e mendiga, vive nas partes ricas da cidade, mais pelos jardins e a avenida Paulista. Ela lembra aquela velha dos gatos de Os Simpsons. As ruas das áreas comerciais estão cheias de gente ao meio do dia, é a hora do almoço, das doze ás duas ou três tarde. Todos indo aos restaurantes. Então ela começa a gritar. A urrar na verdade. Um urro ardido e contínuo.  Ela escolhe uma vítima, grita e gesticula olhando diretamente nos olhos desta pessoa, fazendo todos ao redor (que não a conhecem) acharem que esta pessoa fez algo muito sério a ela. Como não dar uma esmola, pisar no pé dela ou algo assim.  Nada disso, o coitado foi simplesmente o eleito. Ela nunca me elegeu, graças a Deus. Mas já a alguém muito próximo a mim. O susto que todos levam é muito grande. Mesmo depois de saber de sua existência, os urros são muito altos e indignados. E ela continua meio que tentando reclamar algo incompreensível e até hoje eu vejo gente tentando compreender o que exatamente ela está a urrar.  Sempre tem curiosos que param de longe tentando entender o que ela está fazendo. Além de novos e velhas vítimas assustadas.

  Ronaldo Brévis o poeta. Tem uma esquina na Oscar Freire que tem um prédio completamente abandonado. Tem um processo judicial nele, alguns mendigos tomaram o local o deixando deplorável, mal cheiroso e pixado. É uma esquina fantasma. Ali é a sede do poeta. Tem um ponto de ônibus na frente onde ele senta para escrever. Ele tem uma cartola de Tio Sam preta, ou uma de lantejoulas roxas e ainda um chapéu estilo capitão Gancho com uma pena verde. Barba branca, é negro, magro, não possue os dentes da frente e as vezes parece mendigo, pois não deve ter  muitos acessos a  banho. Está sempre bebendo alguma coisa, não sei se é álcool mesmo, mas ele fala como se estivesse sempre bêbado. É engraçado pois as vezes cheira mal e as vezes se entope de perfume! Ele põe cartazes nesta esquina, onde escreve poesias de canetinha colorida, caneta bic e grafite. São vários cartazes pequenos e grandes. O português do poeta é muito ruim, o que me impossibilita de dizer se as poesias são boas ou não. Já tentei ler algumas mas só os inteligentes podem entender, eu não consegui ainda. E mais, se você der atenção a ele, vai te pedir uma caneta, e um papel e vai te escrever uma poesia. E colocar os links dele no you-tube, no papel. Tenho a minha poesia em algum lugar aqui em casa. Lembro de tentar decifrar, ainda não o fiz. Escreva o poeta dos jardins no you-tube, ele é famoso!

  Legionaire. Tenho medo deste cara. Inclusive de ele ler isso e me processar! Mas conto aqui a verdade,  que  vi deles na rua pública. São personagens da Vila São Paulo que freqüento, vivo e moro desde sempre! E este cara é outra celebridade. Todos os bares e restaurantes do Itaim, Vila Olímpia, Pinheiros e Vila Madalena o conhecem. E o temem. Pois a princípio ele é só um excêntrico. Depois de beber garrafas de tequila, vodka e whisky, óbviamente se transforma  e dá trabalho. As primeiras são no copo, depois ele começa a circular com uma e depois com duas garrafas uma em cada mão. Ele começa a conversar, tem os olhos arregalados, parece um soldado alemão. Usa calças camufladas de exército, é careca e no início usa uma camisa, depois de muito éter circulando nas veias, ele exibe seu abdome e peito super sarado. Para todos diz a mesma conversa, exatamente igual. Ele diz que é francês de Lyon. Com alguns começa a falar em francês. Diz que é agente secreto, faz cara de “por favor não conte a ninguém”. Diz que serve as duas nações: Brasil e França. Aí ele mostra os documentos: passaporte, reservista, o documento de dupla cidadania. Depois bebe mais um pouco, sobe no balcão, se houver, se não encontra algum tabladinho e começa a dançar como um gogo boy. Por isso o medo dos donos de bares e restaurantes. Nenhum segurança consegue tirá-lo dali se ele quiser ficar. Ele vira a estrela do lugar. E dependendo da empolgação, termina de mostrar todos os seus documentos de cima de seu palanquinho.

 O Alls Star vermelho. Conhecido como Alls Star mesmo. Me esqueci do nome real do rapaz, jovem alto e bonito. Usava uma jardineira jeans e uma camiseta colorida em baixo. Ele chega e mostra que comprou um alls star. Há anos.  É a primeira coisa que diz. E o alls star realmente está sempre novo. Depois, independente de qual seja o assunto ele tem um conjunto de frases que servem para tudo! É impressionante. Suas respostas são perfeitas para quaisquer perguntas. Ele tem também um conjunto de expressões faciais igualmente universais. É como se ele tivesse decorado um texto coringa para tudo que conversávamos. Falava olhando para o céu. Eu tentava fazer perguntas difíceis, elaborava algo que ele tivesse que dar uma resposta diferente. Nunca consegui. Ele estudava num colégio do Bonfa, o mesmo que eu estudei. E as conversas eram na porta, na hora da saída ou na entrada. Ele sumiu. Dizem que morreu. Mas acredito que foi abduzido por um grupo de ETs.

Fofão. Antigamente o Fofão (não se sabe se ele sabe que o chamam assim)  simplesmente ficava sentado nos bancos das praças do centro da cidade. Ele tinha as bochechas vermelhas inchadas bem abaixo dos olhos, como aquele palhaço dos anos oitenta que aparecia na televisão, o Fofão. Olhos delineados de lápis preto e um quilo de blush. Não fazia mal a ninguém só ficava sentado mesmo, mas todos que o olhavam saíam correndo de medo da figura. Criança chora de medo só de olhar. Dizem mil coisas: que é gay, que foi casado, que é perigoso, que era rico e ficou pobre, que aquela bochecha foi cirurgia mal sucedida . Os anos se passaram e Fofão mostrou-se inofensivo porém, mau humorado. Arrumou um emprego de entregador de panfletos no semáforo. As bochechas, que seria aplicação de silicone, que parece que também tem no quadril, desceram no rosto, o tornando mais horrendo que antes. Ele também cortou os cabelos que eram compridos. Imagine o susto que leva o motorista no farol quando ele aparece na janela para panfletar. Se a pessoa não aceita o panfleto ele fica bravo e começa a perguntar por quê? E entra na frente do carro para assustar ainda mais com sua aparência! Eu sempre aceitei seus panfletos. E tento não mostrar que tomei susto com seu look novo.

 Por último , tem o dono da Ferrari vermelha. Ma que bella máquina! Ele tem também um corvette amarelo sensacional. É muito simples: ele fica na av. Paulista em dias de muito sol. Feriado ou domingo. Estaciona na calçada de modo que o carro fique exposto como se estivesse no salão do automóvel. Ele joga o peso dom corpo para um lado, está com jaqueta da marca de carro e fica rodando a chave no dedo indicador. Os amantes de carro pedem pra tirar foto, ele deixa e adora. Alguns tiram foto com ele. É uma celebridade desconhecida. Talvez os policiais façam vista grossa por ele estar estacionado na calçada, afinal é quase uma atração turística. Fica pertinho do Masp.

   Se eu não vir mais essas pessoas, darei falta delas. Tem vários outros, que em meio a 20 milhões se destacam, ou pela esquisitice ou pelo que for. Tem o vendedor de pão de mel, o amolador de facas.  Como é difícil desligar de São Paulo! Sempre tem tanto a se fazer, a se ver por aqui ... Cada vez mais cresce e ao mesmo tempo fica pequeno esse nosso mundão.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

É tudo igual?


  Homens são todos iguais. Só muda o endereço. O contexto. O tom da voz. A suposta futura sogra.  Mais alguns outros mil detalhes, que os torna bem diferente um do outro. As vezes parece tão único e depois se mostra tão previsível... A verdade é que eles tem prós e contras. Depende da sua disposição e das suas tendências para amá-los ou não. Se apaixonar e enjoar da parte chata, é só uma questão de tempo. E de afinidades também. A mulherada sempre vem contar alguma história de homem! Geralmente as que deram errado. O que está dando certo a gente não conta muito. Vive que é melhor. Abaixo eu tento não classificar ou rotular, longe de mim! Mas definir alguns tipos que já vi por aí.


O gringo


 Dependeria do país para mais detalhes, mas os gringos que não optaram em ser malucos, ainda tem dinheiro, ou fingem que tem, e querem casar. São românticos, vão te surpreender. Prometem aprender sua língua e ainda propõe de vocês aprenderem uma nova juntos, para fazerem amor em português, russo e chinês um dia. Fala das guerras que teve no país dele com orgulho, tentando te convencer de que hoje, aonde ele vive e nasceu é o melhor lugar possível para se ter e criar os filhos. Ele te dá segurança e presentes caros.  Tenta justificar os erros que comete dizendo que isso não está na cultura dele. Quando uma coisa acontece de muito legal, isso é super normal na cultura dele. Se veste bem, mas vai de camisa á praia. Está sempre cheiroso, chique, vale a pena se vestir para um homem deste. Ele vai notar suas vestes sempre. Vai dizer que hoje você está mais bem vestida que aquele outro dia, e que esta marca de perfume tal combina mais com você. Ele lembra até se a maquiagem combinava ou não com a roupa e com a ocasião. Ele é fã de Rihana. Quer uma brasileira pra ele, morena.  Canta junto as músicas americanas que tocam na rádio. Aumenta o volume quando elas passam.

Porém

Sabe aquela história linda de um escritor famoso do seu país? Ele vai dizer que leu pra passar no vestibular e acha um saco essas coisas. Vai chamar de “essas coisas” mesmo

Todavia

Você vai cansar de namorar em inglês. Vai querer comer feijão preto e falar de coisas que ele nunca vai entender. Ele vai insistir que o Brasil não é seguro! E você vai se irritar.



O esportista saudável


Ele fez educação física, gente. É super atencioso, adora crianças e elas o adoram também, o chamam por outro nome, tio alguma coisa. Ele dá aula de natação num clube, é personal trainer de madames, participa de corridas, triatlos, tem um grupo de amigos homens lindos como ele, onde saem juntos para fazer mais esporte, desta vez, por lazer, ufa!  É do tipo que te olha de longe no parque Ibirapuera, muda a rota dele e “sem querer” tromba com você na pista de corrida. Logo depois, te encontra na barraquinha de água de coco e começa a conversar. É muito simpático risonho, adepto da seratonina gratuita. Vocês irão muito para praia de moto, cabelos ao vento, curtir a natureza. Ele vai te ensinar a correr e a alongar direito. Sabe tudo sobre uma alimentação correta. Tem um labrador. Na cozinha da casa dele tem aquelas barrinhas diet e aqueles potes de suplemento alimentar que é químico pra caramba, mas ele vai dizer que é natural. Que é proteína pura, que faz bem sim. Ele tem bike e um carro com rec para levar a bike. Um dia você descobre que na adolescência ele foi gordo e cheio de espinhas no rosto. Ele vê que você achou a foto e fica muito bravo. Desconcertado, como se você fosse mudar com ele depois desta revelação! Aos domingos ele curte um pagodão com feijoada light sem culpa. Ufa! Ele toma uma cervejinha! Uma.

Porém

Talvez você largue o cigarro um pouco e vai diminuir o sal na comida automaticamente.

Todavia

Você não vai parar de comer chocolate e vai se irritar quando ele disser pela milésima vez que sorvete nada mais é que gordura hidrogenada com açúcar.




Jesus Freud


Geralmente mais velho, com a vida estabilizada. As vezes nem é tão mais velho que você, mas se sente muito vivido, experiente. Ele trabalha num banco famoso, na bolsa de valores, tem grana hoje porque se esforçou bastante, trabalhou muito, fez faculdade e pós na FGV. Ele te vê com uma vida tão incerta, quer te dar alguns conselhos para que você ganhe mais dinheiro e seja rica e feliz como ele. Então ele faz perguntas sobre a sua infância, sua profissão, sugere jogos de perguntas e respostas. Compra seu livro favorito, e depois pergunta sobre.  Os caras Jesus Freud querem se sentir descolados ao seu lado, porque na verdade eles não são  lá tão resolvidos quanto pensam que são. Ou quanto dizem que são. A casa dele é super normal, decorada como a do pai e ajeitada por uma faxineira que vai lá três vezes por semana. Com cheiro de bom ar e lustra móveis. Ele é organizado. Fez terapia a vida toda, leu alguns livros de auto- ajuda e por tanto pensa que pode ajudar você. Sem você pedir ou precisar. Te leva, te busca, é super atencioso. Seu lado Jesus quer te salvar e o lado Freud quer te curar. Ele quer ser seu pai! Tarde demais, você já teve o seu.

 Porém
É bom pra você ver como cada louco tem sua mania e de perto ninguém, mas ninguém mesmo é normal. E a sua vida é bela.

Todavia
Você pode ficar tão louca quanto ele pensa que você é, e alguém querendo te “melhorar” o tempo todo é um saco.



O porra loca tudo de bom


Cuidado. Existe o de boa e má qualidade. Não vá se perder por aí, como diz a música! Vocês vão sair noite a fora, dar muita risada e voltar bêbados pra casa. Se um dos dois vomitar muito, não há problema, vocês continuarão apaixonados e tudo certo. As conversas são sempre pra cima. É incrível como vocês concordam em tudo e riem no final de cada frase. É uma delícia fazer planos com ele, afinal de contas, nunca vão mais longe que a viagem no próximo feriado, ou a balada de hoje a noite. Os amigos entre vocês são parecidos, ele gosta dos seus e você dos dele, vocês tem vontade de apresentar todo mundo, e juntar todos num grupo só. Todos se dariam bem. Vocês se encontram mais para se divertir, mas as vezes ele ajuda com outras coisas da vida também. É pau pra toda obra. A melhor companhia do mundo para shows lotados e eventos culturais concorridos.  Ele fez direito, mas trabalha com produção musical.  É das artes, ou corretor de imóveis, ou alguma profissão liberal, onde ele possa mudar os horários malucos. Mora sozinho ou com amigos tão legais quanto ele. Os pais estão na mesma cidade que ele. Se vocês terminarem hoje, ou melhor, deixaram de se ver, daqui há anos ele estará igualzinho, tão bonito quanto antes, com mais história pra contar, e mais mulheres no currículo, pois claro que é mulherengo e irresistível.

Porém

Mulher de porra loca, porra louquinha é. Além disso, será tudo muito surreal. Até quando você quer viver em Neverland?

Todavia

Sua pele vai melhorar de tanta alegria, mas pode piorar se você beber muito e fumar loucamente. Alegria e felicidade são parecidas mas diferentes.




O viajante descolado


   Hoje ele mora em Dublin, vai sempre a Londres, Bruxelas e vai passar três meses no Canadá para conferências e mais um curso de nome esquisito. Se espanta quando você conta novidades do Brasil de três meses atrás.  Estudou numa ótima universidade e é daqueles que são e vivem como estudante a vida inteira. Fez mestrados e doutorados pelo mundo, e apesar de ter se tornado um engenheiro químico, ou correspondente internacional, é super descolado. Vai aos melhores cinemas, assistiu a várias peças legais, subiu naquela montanha mais doida de todas e tomou sol naquela praia incrível. Te apresenta bandas do Oriente Médio e te dá uma revista em quadrinhos de um país você nem sabia que existia. Tem de escrever artigos longos complicadíssimos sobre a diferença do etanol e de novas opções de bio-combustíveis disponíveis e a real funcionalidade dos mesmos, em determinado país no bloco econômico em que atua até o ano de 2030. Você ouve tudo sem entender nada. E acha lindo! Fascinante. Ele traz um vinho delicioso, da última vez que visitou um cliente na Itália, e o harmoniza cozinhando muito bem, pois sempre viveu sozinho, sabe se virar. Conta seus planos de morar em Singapura e as vezes coloca você nesses (para ele super possíveis) devaneios. Logo ele conta que está só, há apenas um mês. Porque a ex-namorada espanhola acabou de se mudar para a Austrália. Fora que as vezes ele atende o telefone e fica falando com alguma gatinha em russo.

Porém

Pra dar certo com ele, você vai precisar de um passaporte europeu,ou de um visto de estudante.

Todavia

Num piscar de olhos ele pode ir para Finlândia fazer alguma pesquisa ou matéria, e deixar você arrasada, comendo macarons, fumando cigarros escuros, sozinha, num café em Paris.



O melhor !


Ele fala bastante dele. E dos amigos dele. E das impressões que ele tem do mundo. Conta da infância dele,  e de como é a profissão, e o dia- a-dia dele. É o preferido da mãe coruja que ele tem. Ele é religioso, o que pode ser ótimo. Finalmente ele pergunta de você!  Sem ter o que dizer de tão magnífico sobre si mesma, você tenta trazer algo simples, como a previsão do tempo para os próximos dias, o final de semana e o seu almoço hoje. Ele é super educado, família tradicional, faz comentários pertinentes. Mas diz que conhece um restaurante maravilhoso que cozinha esse prato que você diz ter comido, muito melhor do que qualquer outro cozinheiro. Você explica que almoçou com sua mãe. Ela cozinhou o prato. Por tanto, pra você, é impossível que alguém cozinhe melhor que ela. Ele sorri te dá um beijo, acha legal você valorizar a família, e pede desculpas pela sua mãe. Em seguida diz que de fato, não há como negar: o feito pelo cozinheiro dele é o melhor do mundo sim. Sem comparação. Para ele você nunca sabe o que está dizendo. “Você não sabe o que está dizendo!” Ele sabe! Você duvida do maldito cozinheiro, só de raiva! Ele é sarcástico, tem um humor muito sofisticado, bom gosto para tudo que existe na Terra! Um dia vocês combinam de ir comer o tal prato. No restaurante você concorda com ele, pra agradar. Você bebe o vinho  que nem cachaça pra ficar louca logo. Segundo ele este vinho é o melhor, j;a até ganhou prêmios. Ele é circuncisado. Você não consegue ignorar isso e não vê a hora de saber qual será a sua reação. É. A sua reação. A dele tanto faz. Hunf!

Todavia

Você vai ter de mudar alguns hábitos a fim de se tornar a melhor das melhores e mais perfeita namorado do mundo Isto será um desafio!

Porém
 Se acostume a dividir a conta. Ele quer você a melhor para se igualar a grandeza dele.



O culto

A casa dele parece um museu. Não é uma bela decoração, pelo contrário, tudo muito empilhado. Ele foi a tantos lugares incríveis no mundo e tem um pedacinho de cada canto que foi pela casa. De areia do Saara, á lembrança de pingüins da Antártida. Você tenta entender que diabos ele foi fazer na Antártida. Ele tem uma biblioteca fabulosa. E leu tudo, claro. Já encenou tantas peças, fez um filme premiadíssimo. É um homem fascinante. Imita argentino porteño e bonairense. É bem humorado mas as vezes inteligente demais, dá desespero! Você comenta que está fazendo uma pesquisa, lendo um livro importante e ele é amigo do autor. Velhos amigos! Estudaram juntos! Você descobre um cinema novo perto do seu trabalho com uma grade incrível de filmes bons, ele comenta que foi ele quem concebeu a idéia junto com o dono do espaço. O pior é que é verdade! Não há nada relacionado a ele que possa ser estúpido. Exceto o fato de que quando você não sabia de nada isso, ele era mais legal. Você sentirá como psiquê transando com Eros. Uma mortal se relacionando com um Deus grego! Ele corrige seu português. Mas você resolve não se incomodar, pois ele o faz com a sua super educação de lord dinamarquês do noroeste sul. Você pensa que pra ele as suas observações devem ser tão bobas e previsíveis como as de um mortal devem ser. Faz palestrinhas sobre um assunto que você considerava já encerrado e agora vê mais trezentas e cinqüenta e sete novas possibilidades. Ele muda suas opiniões. Você vai economizar tempo de ler algumas coisas. Peça pra ele contar a peça e ele conta com o maior prazer e empolgação. Você também irá as melhores festas, lançamentos de livro e pré estréias da cidade.

Porém

 Ele dá várias mancadas gravíssimas como homem. Pois no final das contas  o que ele precisa ser  pra você, acima de qualquer outra coisa,  é homem! Absolutamente nada mais que isso. Mas você acabará perdoando pra ficar mais um pouco ao lado de alguém que te ensina tanto. E vai se sentir burrinha as vezes. Sensação nada boa. Fascínio perigoso, te fugirá o controle. Vai dar um medo danado.

Todavia

 Você nunca irá entender o que ele viu em você.  Pior, ele nunca entende o que você quer dele. Nesse ponto o culto se assemelha ao “porra loca tudo de bom”. Acaba ficando tudo por isso mesmo, pois ele é super inteligente e não força nada. E a relação se esvai, numa boa.



O rico irresponsável


Ele tem um belo de um carrão, e corre com aquele troço com você dentro, te pondo em risco! Faz isso numa avenida como a Rebouças. Sim, é possível correr na Rebouças. Com ele é. Pois não respeita as faixas de ônibus, nem os semáforos. Vai pelas adjacentes e como num passe de mágica, ele chega ao pódio, depois de costurar tudo. Não se importa nem com o fato de você estar com o coração pulando na mão. Nem com as dezenas de multas que ele recebe por mês. A secretária paga tudo depois mesmo. Ele trabalha na empresa do pai. Diz que trabalha pois nunca está lá. Também ajuda a administrar as propriedades da mãe. E está pensando no que vai investir as dele. Talvez numa balada nova em São Paulo, que sem sombra de dúvidas vai bombar e tudo vai dar certo. Ele não recicla. Mora num apartamento cujo a portaria parece um shopping.  Tem lá uma alameda de serviços, que sem ela, ele não vive. A decoração, foi algum famoso arquiteto que fez.   Consome alimentos e bebidas despreocupadamente com a origem, a época, o valor então, nem conta.  O dinheiro o protege de tudo, ainda mais no Brasil. O legal é que ele vai deixar você dirigir uma Porsche na Imigrantes sem carta de motorista! Você vai dizer “não imagina, que isso...”,  e ele é quem vai insistir. Praia, tomando sol, você vê um barquinho. Ele percebe você olhando e proporciona o iate para o final da tarde. E também deixa você dirigir.  Mas não tem significado nenhum, não custa nada. Não custa nada. Não há muquiranagem oque o difere de “o melhor”. Ele tem coração, isso vale muito. Fica feliz de ver que está fazendo você se divertir. Ainal tudo isso pra ele é bem normal. Ele podia fazer algum trabalho de caridade. Mas não faz nada. Diz que “não tempo pra isso”.   Tem tempo sim. Se tempo é dinheiro, uh se tem.

Todavia

 Let’s living La vida loca!  Calcinhas vermelhas com saia curta, batom forte e cara blazê, começarão a fazer sentido pra você. Será no mínimo divertido. Nada como segurar uma taça de champagne cara e fazer carão.

Porém

 Você terá medo de ser uma espécie de troféu esquisito. E troféu não se compra, se ganha.


O canela fina

  Diz a lenda que o homem de canela fina é aquele que dança bem. Não importa sua classe social, profissão, trata-se somente de ser cheiroso e bailar com você pelo salão, lindamente. O canela fina é da mesma espécie que o surfista. Os surfistas podem ser o que for, eles são surfistas e ponto final. O fato de estarem surfando de fazerem o movimento com o pescoço aonde mergulham a primeira vez ao entrar no mar, ao passar a arrebentação, o modo de abrir a boca para respirar, é isso. Puro hedonismo. Nada mais. O canela fina pode até trazer uma bebida, ter ou não papo bom. Gente, ele só precisa te olhar nos olhos durante a dança e já está tudo certo como 2 e 2 são 5. Depois de horas viajando em seus braços, você vai querer tomar uma ar com ele na varanda e vai beijá-lo e vai ser lindo. A lua na fase em que estiver vai ilustrar o cenário perfeito. Tudo que vocês falarem vai fazer parte daquele contexto, vai combinar com a cor da saia e com a temperatura do drink. Ele mora longe! Talvez você não o veja mais! Tem que ser hoje, pois talvez você esteja sonhando, ele não pode escapar!  Se ele disser qualquer coisa que você não concorde, vai achar bonitinho que ele ainda pense assim e exaltar que conviver com diferenças de pensamento é muito importante. É estar apaixonada, embevecida, música, luz, câmera, magia. E som na caixa.

Todavia

 Há há há há há, mas eu to rindo a toa, não que a vida esteja assim tão boa, mas um sorriso ajuda a melhorar...

Porém

  Amanheceu. Você acorda: “Ahhhhh!  Desculpe, bom dia. Como é mesmo seu nome? A gente pensa que não mas xiboquinha dá ressaca mesmo né?  Hehe... tsc.”. Disfarça e some.


O músico

  Eis o mais desonesto de todos, ou melhor, a mais desonesta comparação de todas.  Músico não vale...  É demasiado encantador, ele toca um instrumento. Sabe hipnotizar pessoas com melodias e poesia, é muita artimanha para um homem só, por isso digo que é desonesto. Vai te observar em silêncio. É sensível suficiente pra saber o que quer ouvir. E ao cantar vai fazer aquelas caretinhas de feliz que os músicos fazem, ou pior, as carinhas de anjo enquanto estão concentrados tocando. Se ele cantar junto então pode esquecer. Você não terá a menor chance de se manter no controle. E também se não cantar, a timidez de um músico que não canta, tem outro efeito igualmente macumbeiro. Ver o namorado músico no palco enquanto as mulheres na platéia se deleitam por ele, dá uma falsa sensação de poder que vicia. O interessante é que ele é original, tem milhões das melhores influências, mas é super ele mesmo, quase não vai jogar com você, é extremamente honesto! Até demais... Se ele fizer alguma coisa errada vai dizer, dar uma explicação dentro da lógica de músico dele, que fará sentido e mesmo que você não queira, ache absurdo, vai aceitar! Por que se não vai perdê-lo. E você gosta dele assim mesmo.  Apaixonada por um desse você vai querer tê-lo. Ser mais amada que aquela guitarra que você já tem ciúmes, poisfica mais tempo nos braços dele que você. Ele também quer que você o queira. Até você querê-lo muito. Depois não gosta mais que o queira tanto assim. Pois ele precisa circular naquela energia da liberdade bohêmia pra compor, pra seguir sendo ele, que é o exato o motivo, quase místico, de ter ele te conquistado. 

Porém

 Você vai se sentir a June de “June and Carter” e vai descobrir todas as novas versões das canções. Não tenha dúvida de que você estará como musa nas próximas canções dele. Fato.

Todavia

 Ele pode um dia te explicar calmamente que não foi traição, o fato é que a moça era uma cantora muito especial e é “só “ isso que ele vê nela, nada mais. Ui! Pois é... São em geral, bichinhos lindos, verdadeiros e infiéis.


O casado

Evito julgar as pessoas ao máximo que posso, mas o casado, pra mim, é das roubadas a maior. Parece droga: você sabe que faz mal, que destrói, leva de mal a pior, mas por mexer tanto com você, é difícil parar por mais que queira. 24 horas! Só por hoje! E lá está você de novo as escondidas com o cafajeste. Cada hora num local diferente, interessante e escondido.  Ele comprou um celular só pra você poder ligar pra ele quando quiser. Faz você se sentir num filme de ação. Você criou a ilusão e acredita piamente que é o homem certo na hora errada. Simplesmente ele é o mais perfeito de todos que você já teve, você pensa: fazer o que? A vida é dura mas você por algum motivo louco de meu Deus, idealizou que é dele o melhor sexo, que é ele o pai perfeito para os seus filhos,  é  quem vai finalmente vai te fazer feliz de uma vez por todas nessa vida. Clássica obsessão. Tem até perfume caro com esse nome: obsessão. Talvez porque ele faça promessas de que vai largar a outra por você. E mesmo que não faça você tem essa projeção maluca dentro de si. Afinal quem deixaria uma mulher linda, filhos lindos, entraria num perigo desses dentro da nossa sociedade, numa aventura daquela, só pra ficar quinze minutinhos: com você. Ninguém mais só você. O ego. Por isso a semelhança com a droga. Nada amacia mais o ego tão falsa, perfeita e rapidamente como droga ou homem casado. É como uma peça de teatro: paga pra ser iludida, porque ser iludido, quando se gosta da sensação que ilude, é muito bom. Você pensa sozinha: “mas ele não gosta ela, e deve ser horrível ser casado com quem não se gosta...”- e se sente boazinha por estar “ajudando” o pobrezinho desajustado a se sentir um pouco melhor. Tsc, tsc, tsc...

Porém

 Ele não vai ter ciúmes absurdo, pelo contrário o pouquinho que tiver você vai até gostar. Se ele tiver muito é maluco mesmo e vocês devem se internar juntos!

Todavia

 Menina: não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. Já dizia o Newton se subiu tem que descer! Quando ele deixar a esposa por você, vai acabar todo esse fogo e ele vai perder a graça.



O publicitário


As vezes faz propaganda de si mesmo sem perceber. Os publicitários são divertidos descolados, alternativos. Tentam ser? A casa dele parece uma instalação da Casa Cor. Pode estar de camiseta de banda de rock ou num terno chiquérrimo maravilhoso, depende da reunião de hoje. Depende do gosto do cliente. Ou da cliente. Sabem de tudo um pouco. De tudo mesmo, qualquer assunto. Nenhum a fundo. Vestem-se muito bem, melhor que os próprios modelos. Tem o corte de cabelo da moda, tendência, paleta de cores, sabem  o que é in e o que é out. São artistas frustrados. Ou apaixonados por dinheiro mais que pela arte. Vendem suas idéias e preferências. Mudam a preferência de acordo com a tendência. Aí que mora o perigo minha amiga. Se você deixar de ser in, ferrou. Todo esse mundinho é muito importante pra eles. Pra não dizer a casca de fora, o que eles gostam é de ver como você se expressa no mundo. Ou seja, diferente do gay desavisado que vê sua alma, o mais profundo que um publicitário vê em você é a sua lingerie Victoria Secret. Prepare-se para as festas mais chiques e bem patrocinadas da sua vida. E para ter um monte de brindes exclusivos na sua casa. Eles adoram esta palavra: exclusividade. E por amarem tanto a tal exclusividade, eles esperam que os amigos deles os invejem. Desejem você. Você entrará em competição com as namoradas dos amigos deles. Em segredo eles ficam pensando qual é a mais gostosa. Quem deles se deu mais bem que o outro. Procure viajar pra fora e trazer algo que ninguém viu aqui no Brasil. Nossa ele vai pirar mais que um beijo demorado! Se você for inteligente, vai impressioná-lo o tempo todo. Eles adoram.  Mas se não for, trate de ser linda! E rica de preferência.

Porém  

Você vai entender o poder da sedução em 30 segundos, tempo das propagandas publicitárias. Vai decorar melhor sua casa, vai descobrir que é descolada! Que já sabia tudo isso, e sempre pagou bem menos pelas mesmas coisas sem a marca que as encarecem.

Todavia

 Você não poderá sair de moda jamais! Se engordar uma grama, ele vai notar. A celulite vai tinir como unhas riscando o quadro negro dele.



O gay desavisado


Ele é o cara mais legal do mundooo!  Tudo que a gente sempre quer é que um homem nos entenda sabe?  Além de entender tudo, ele é parceiro. Voces fazem compras juntos, cozinham e fazem juntos a tal dieta miraculosa. A corrida matinal que sem ele te acordar as seis da manhã você jamais conseguiria sozinha.  Acompanha suas conquistas, te dá os melhores conselhos, te ouve, entende, ajuda. Compra o absorvente que você gosta, traz chá com ponstan e bolsa de água quente quando você está com cólicas. Nunca na vida ele comprou o remédio errado ou botou uma grama de  açúcar demais no chá. Faz o melhor capuccino do mundo. Uma gracinha. Vces dançam juntos a música da Beyonce e caem na risada no sofá. Vão jantar nos melhores restaurantes, ele é muito refinado. Elogia a cor do seu esmalte. Você sente saudades dele o dia o todo! Finalmente no fim de semana vão viajar pra praia mais incrível e badalada que tem. Ele está um gato com aquele óculos escuro da Gucci,  uma delícia com aquele cheirinho de Australian Gold, e depois do décimo Hi-Fi na praia , na aba do seu chapéu chique que ele te deu. O sol já está se pondo vces já trocaram milhões de olhares e celinhos, vc não vai pegar mais ninguém nessa praia. Vc não vai conhecer ninguém mais carinhoso. Vc vai, e o beija. Ele treme um pouquinho, estará ele nervoso?  Vc abre os olhos continua, ele não se move e de repente no meio do beijo rola com vc fazendo a areia  grudar na baba do rosto. Ah foi lindo, vai!  Vocês levantam se abraçam, vão correndo para a água que nem duas crianças e o beijo salgado nas águas de Yemanjá, meu rei!  Resumindo: vces decidem namorar. Quando voltam a SP no Porsche Cayenne preto dele ,  chegam no apê super cheiroso e mega bem decorado. Bêbados vão para o quarto. É chegada a hora do veredicto e até agora está indo tudo muito bem. De repente ele pára. Olha nos seus olhos com toda a força da paixão que sente e diz: “eu gosto de você, mulher inteligente, linda... e ativa. Vc sempre foi ativa não é? Desde que te conheço você sempre foi assim linda e ativa. Vc segura a onda de ser assim ativa pra sempre?”  Vc concorda. É lógico sempre foi linda e ativa, e nunca se importou com isso.  Fica feliz de alguém notar e te dizer isso. Ele repete:    ” Vc se importa de ser assim ativa sempre, de nunca mudar...”  Você quase chora de emoçÃO. Finalmente um homem pede pra você nunca mudar?  Que beleza.  Então ele vai pro banheiro da super bela suíte e volta com aquilo. Antes mesmo de começar o sexo ele já te mostra aquele objeto que é pra você na hora certa lá, comer o seu namorado.

Todavia

 Vc disfarça pra não chorar na frente dele, beija-o, ou melhor, encosta os lábios nos dele, e vai embora. Imediatamente.

Porém

 Não se preocupe a amizade vai voltar depois. Afinal eles são super liberais e compreensivos. Só não sinta ciúmes da próxima desavisada tentativa que aparecer na vida dele. A próxima “deeeusa” que na verdade, ele queria é ser!


O filho

Ele é um fofo! Tem uma boa textura. Cheirinho delicioso, um abraço, um cabelo gostoso de mexer. A vontade é apertá-lo, e mordê-lo o tempo inteiro. Vocês tem várias coisas em comum, muitas vezes você se verá nele e muito provavelmente ele se verá em você. Vocês trocam informações muito preciosas um com o outro o tempo todo. Tem profissões parecidas, se completam, se ajudam. Te faz carinho e você nele. Na verdade massagem específica para o músculo que está doendo. Você se comporta como médica, terapeuta do rapaz, quer cuidar, educar, dar casa, comida e roupas novas. Sente muito ciúmes das meninas que se aproximam. Você vai assistir filme na casa dele e ele não tenta te comer! Ele descobre uma vaga de emprego na internet e te liga, te passa os contatos e se você precisar vai com você até lá, ou te empresta o carro dele, pois será dia do seu rodízio e ele sabe disso.  Contanto que você vá com ele caminhar no parque. É que se você, ou alguém não for com ele , ele não vai. Ele faz chantagens emocionais. Você odeia caminhar no parque. Mas vai. Ele quer emagrecer, você sabe disso, não pode perder a oportunidade de ser alguém importante nas conquistas dele.  Você adora aconselhá-lo! E adora ouvi-lo também.  Mas aí ele faz uma coisa errada, e você briga muito com ele, e o põe de castigo! Mas leva a comida que você cozinhou na casa dele. Ele compara o tempero do seu rango com o da mãe dele. É a primeira pessoa da sua vida a elogiar sua comida. Diz nunca ter comido nada igual. E nada de comer você. Mas tudo bem! Vocês se beijam. Ele é um pouco tímido com ações físicas, mas bom com palavras. E com aquela cara de ursinho fofo, gut-gut que ele tem. Você pensa que ele é um homem! Mas quando ele faz vozinha de menino, por algum motivo você pira. Afinal ele te mima também.  Mostra os textos dele pra você avaliar e você fica orgulhosa de conhecê-lo! Você quer vê-lo bem, vencendo! Torce para que tudo dê certo na vida dele, e quando ele falha você acha que falhou! Você quer pegá-lo na escola encher a sua bola com todo seu amor!

Todavia

Será confuso pensar em engravidar. Você sente que já tem um filho!  Vai entender os casais grudentos que se amam de verdade. Pois amor verdadeiro, já diziam os caminhoneiros, é o amor da mãe!

Porém

Ele vai te irritar, pois filhos são irritantes, pedintes e insistentes. E essa dependência que se criará entre vocês dois, uma hora vai encher o saco. Como uma criança chorando porque quer o raio do pacote de biscoito antes do jantar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vá embora da Kilt! Pra onde?



Para puta que lhe pariu. Peço perdão ao leitor pela frase de início desta crônica. Sei que parece extremamente ofensiva. Porém façamos um exercício. Imaginemos que puta é uma profissão respeitável como qualquer outra. Deste modo o diálogo abaixo não refere mais ofensa:
 - Onde você vai passar o dia das mães?
-Pois é, eu vou pra puta que me pariu, claro. Tô com uma saudade daquela puta velha, minha mãezinha querida. Mora lá no centro de Surubim. - Normal. Sem crise. Dia das mães pra filho de puta é tranqüilo. Já no dia dos pais o sujeito fica mais perdido que cego em tiroteio. Em nossa sociedade, maioria católica, um filho de puta é automaticamente um coitado. Pois não foi batizado, nem crismado ou apadrinhado. Bastou um coito não interrompido e temos um coitado. Que nem sempre é tadinho. Mas para os católicos, o fato de os pais não terem se casado, faz dele, do pobre coitado, um tadinho. Que é abreviação de “coitadinho”. Pois puta quase nunca é rica. Mas católica?
  Penso que todos nós somos coitados, afinal, somos todos produto de coitos não interrompidos. O que não significa que, pobres ou não, sejamos mais bem resolvidos com nossas mães do que os filhos destas profissionais. Quem botou isso em nossas cabeças, foram as beatas. Como a velha rabugenta Maria Dorotéia de “Gabriela, cravo e canela” – de Jorge Amado atualmente em seriado de TV.
  Na Roma antiga, ser puta no palácio era uma das melhores coisas. Antes puta que atriz das peças dirigidas por Calígula, imperador romano promíscuo. Mesmo que não fosse escrava, as plebéias candidatas a puta, podiam deste modo, mudar de classe social. Tornariam- se cônjuges. Esta possibilidade existe até hoje. A de um cliente desposar a moça. Eu mesma conheço casal de ex-puta com homem de direito. Eles tem filhos e são tão felizes e complexos como os casais de arquiteto com engenheira.
  As profissionais do entretenimento adulto deveriam ser mais respeitadas. Afinal existem há muito mais tempo que políticos corruptos ou capitães de navio. Aliás, o que se refere a elas (sexo, putaria) não é tão feio de dizer como as rebuscadas palavras usadas no julgamento do Mensalão por exemplo. Onde com muitíssima classe se fala de atos verdadeiramente baixos e odiosos. Que profundamente afetam a vida, a saúde, o futuro, a educação de todos nós. Enfim.
  Tudo isso pra dizer que a Kilt Shows Club, casa de shows da Praça Roosevelt, fechou. Aquela cuja arquitetura é um castelinho medieval. O maior medo dos culturetes da região, é que vire uma igreja evangélica, já que o dinheiro de Jesus tem comprado a cidade inteira. Mas parece que a venda, foi para ampliar o espaço cultural do teatro Cultura Artística, que fica ao lado. Tenho muita curiosidade de saber como é a arrecadação de impostos de um puteiro (casa de shows) e de uma igreja evangélica (casa de Deus gerida por um pastor), mas não sei.
Quando criança eu achava que a Kilt era (e não deixa de ser) um parquinho temático. Um pouquinho mais velha, no teatro Cultura Artística, meu pai me disse que a Kilt Show era um teatro. Também não deixa de ser.
  Bar-mans, garçons, taxistas, seguranças, e claro, as estrelas da Kilt. Estão todos desempregados. Preocupada com o desnorteamento das meninas, pois são marginalizadas a custo de pura ignorância social, venho por meio deste texto, pensar em solução, para que as meninas não deixem de trabalhar. Parto do princípio de que é puta quem quer. Uma escolha.  Muito mais cruel é ser o cara da carrocinha, que captura os cachorrinhos abandonados para transformá-los em sabão.
  Humildes idéias, talvez possam funcionar.
 Quanto aos gringos, meninas, não se preocupem. Não é só na Kilt que tem. Em breve o país estará repleto deles por todos os cantos.  Não haverá Vikings de cêra subindo pela parede e no telhado do castelo . Mas com Olimpíadas e Copa do Mundo, vai ter gringo saindo pelo ladrão. Quanto a palcos, e Pole dancing,  é uma questão de pesquisa. Deve haver muitos pela cidade.
 Porém minha maior sugestão é: façam um blog! A internet é o futuro! Encontre um bom fotógrafo e alimente seu blog com fotos, frases, suas habilidades, sua experiência, de modo a impressionar e conquistar clientes. Trabalhe na divulgação, produzindo material gráfico e eletrônico. Trabalhando para si própria, vai economizar a grana da porcentagem do cafetão. Fora não ter mais que agüentar o mau humor deles.
   Aprenda inglês. Isso pode inclusive alterar sua tabela de preços. Para gemer em inglês você pode cobrar mais caro. Invista nos diferenciais.
 Faça parcerias com motéis. Academias, clínicas de estética. Nunca desfaça seu plano de saúde para manter seu produto sempre fresquinho e saudável. E acima de tudo: mantenha-se informada. Leia o caderno de negócios. Diz que se há sorte nos negócios, não há sorte no amor, está aí uma oportunidade de prospectar novos clientes. Geralmente os executivos fazem pose de braço cruzado ou mãos no bolso nas fotos de jornal. As mãos escondidas impedem de saber se ele é casado ou não. Mas não impede de avaliar seu plano de ataque. Leia a matéria até o final. Não se intimide! Dê um Google no nome do empresário em ascensão, e mande por email uma apresentação de sua empresa e de seus serviços. Além de cliente, avalie o potencial de, se solteiro, ser um futuro marido. Por que não? Neste caso contrate um analista. Para evitar tornar-se uma madame Yoki.
  Por fim, negociem a saída da Kilt. Não sei como funciona o FGTS, rescisão e seguro desemprego  com eles, mas negocie bem, para poder investir no seu Blog ou em qualquer outro negócio futuro.
Espero de coração ter contribuído com essa humilde consultoria, de breve avaliação da situação desempregacional das meninas. Boa sorte meninas! E bom trabalho.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

“O telefone tocou novamente, fui atender, e não era o meu amor! Será que ela ainda está muito zangada comigo? Que pena, que pena…”





   Eu estava sentada no chão do Sesc Vila Mariana lendo Mafalda. Fui lá atrás desta exposição de quadrinhos. Tinha Calvin e Snoopy também.  Cheguei achando que haveria quadros expostos, com a história destes personagens e seus criadores. Nada disso. Só uma mesa com os gibis e livros de quadrinhos para ler. Ok! Sentei-me ao chão e escolhi um. Lendo uma historinha da Mafalda, que se passa nos anos sessenta, tocava o telefone, dentro da história. No mesmo instante, tocou um telefone na área da exposição também.  E o som que tocou na sala era justamente de telefone antigo.  
  
  Existe todo tipo de toques de telefone possíveis e imagináveis. Tem gente que grava a voz com o nome da pessoa e quando ela liga, ouve-se a voz do indivíduo: “Oi fulano  atende o telefone, preciso falar com você”.  Mães malucas colocam o choro de seus bebês pra quando liga a babá da criança. Namorados grudentos gravam a voz da namorada dizendo: ”Amorequinhooo!  Atende vai, sua chuchuquinha quer falar com você.” Um outro muito comum é escolher o tema  do Dart Vader de “Guerra nas Estrelas” para quando liga o chefe. Um funk carioca bem sujo quando liga uma periguete e assim por diante.  Com a invenção da bina a ansiedade que demonstra o trecho da música que abre esta crônica tornou-se inviável. Sempre sabemos quem é quando toca o telefone.  No entanto também sabemos que a pessoa sabe que ligamos. Pois ela também tem bina. Há aplicativos do I-phone que é possível saber que a pessoa recebeu, e a que horas leu a sua mensagem. Ou seja não se fica mais ansioso se leu ou não . A ansiedade tornou-se: por que diabos ainda não respondeu?
  
  Todavia nós paulistanos temos experimentado a sensação de não saber quem está  ligando. Muita gente perdeu os contatos em seus telefones desde a mudança da Anatel de botar o número 9 na frente de todos os números de telefone de celular. O número permanece o mesmo, porém com um “9” na frente. O que causou a desprogramação da bina. O que causou desconforto a uma população acostumada a sempre saber quem está ligando. O telefone toca na festa, maior barulho, vem a tentação: atender ou não?  Quem será? O que vai pensar? O que vou dizer a esta pessoa qiue liga e não sei quem é?! Há tempos não se sentia mais essa dúvida.
 Eu adoro atender o orelhão quando ele toca.  Acho genial falar com a pessoa desconhecida no outro lado da linha. Triiiiimm!
- Alô?
- Olá, quem fala?
- Alguém na avenida Paulista num telefone fantasiado de massa encefálica.
- Como você chama?
- Sirleide, pra você. – tinha lido o nome e telefone da travesti, grudado no aparelho telefônico público.
- Ah, tá. Tudo bem Sirleide?
-Tudo.
- Tá muito trânsito aí na Paulista?
- Deixa eu dar uma olhadinha. Olha, sentido Paraíso tá meio travado, o consolo é o sentido Consolação que tá fluindo melhor.
- Tá. Entendi. Então o Zé já deve ter chegado no trabalho. Você pode chamar ele pra mim Sirleide?
  - Chamar quem? O Zé?
- É. Ele tá trabalhando, fala que é rapidinho, preciso dar um recado a ele, sou a mulher dele.
-Mas aonde ele trabalha?
- Aí na Paulista?
- Ah vá?
- Na banca de jornal na frente do prédio do Sesi, Fiesp não sei direito , é aquele prédio que parece um triângulo de lado.
- Hummm... É meu caminho, vou passar por ali agora. Pode deixar que eu aviso “seu” Zé. É pra ele vir aqui atender?
-Isso. Eu espero.
- Ok, sem problemas.
- Muito obrigada Sirleide! Você é uma graça!
-De nada.  Dona?
- Maria. Mulher do Zé.
- Maria mulher do Zé, nada mais justo. Bom dia pra senhora, vou lá avisar seu marido. E olhe, se vier pra cá traz guarda-chuva que tá vindo umas nuvens lá dos lados do centro pra cá, viu? Adeus.
  
  Estão revitalizando os telefones públicos do país. Estou amando a idéia. Deve ser para consigam se comunicar o montão de gringos que virão pra cá na Copa e nas Olimpíadas.  Imagine se um gringo precisar ligar do orelhão para alguém? Vai precisar de um limpo. Agora estão limpos e decorados.  A cidade está cheia orelhões artísticos. E você ainda continua tendo a opção de contratar um artista travesti, caso queira. Tem lá a propaganda deles com os telefones de contato direto. Não é disk-sexo. É o telefone pessoal deles (ou delas) mesmo.
  
  Tem-se hoje em dia, no mínimo um celular por pessoa. Porém para aproveitar as promoções das operadoras, muita gente tem mais de um. Um pra cada operadora. Pergunta-se o telefone da pessoa em seguida qual é a operadora dela. A Anatel proibiu a venda de novos chips e celulares de todas as operadores de celular do país. Decisão tomada pelo fato de elas prometerem tudo e não cumprirem o mínimo: sinal telefônico!
  
  No Brasil se pode fazer chamadas a cobrar! É o único lugar do mundo, acho. Ainda não soube de nenhum outro lugar que exista esta opção.  A gravação diz: “Chamada a cobrar: continue na linha após a identificação.” Aí você aceita, porque a gravação mandou. Assim você fala com o desprovido de recursos (grana, crédito, etc) para ligar.  O desprovido que precisou fazer a chamada a cobrar, por sua vez escuta: “Chamada a cobrar: diga seu nome e a cidade de onde está falando!”.  Livia Prestes, São Paulo –SP Brasil!  Subtexto: não desligue, por favor, sou pobre mas é importante! Preciso falar!
  
  O telefone fixo caiu praticamente em desuso. Mas curiosamente é utilizado para as ligações de 0800, somente. Não entendo o por quê disso, mas só é possível realizar uma ligação gratuita, que comece a 0800, de casa. Do telefone fixo. Por que? Não faço idéia, mas do celular, a ligação nem sequer é completada.
   E para quê ligar para um 0800? Ou qualquer número de informações, telemarketing, cadastro, serviços. Olha, este drama infelizmente faz parte da vida de todos nós. Uma hora ou outra você vai ter ligar nesses serviços para resolver algum pepino. Faça um alongamento antes, tome um pouco de água com açúcar já pra garantir, faça uma oração de paz e paciência e boa sorte. Ligue. Ela vai atender. Vai botar uma musiquinha para que você aguarde sua vez.  O atendimento vai começar eletrônico. Você vai discar vários códigos no intuito de adiantar a explicação do seu problema.  Enfim atenderá uma operadora de telemarketing treinada para te acalmar e te ajudar a resolver o problema. Ela confirmará todos os seus dados que você já havia digitado antes no atendimento eletrônico. Vai recitar um texto decorado, dizer o nome dela e em que ela pode ajudar?  Tenho a impressão de que todas elas estão lixando as unhas enquanto falam comigo.  Ela dirá: “Senhora? Senhora!”. Mil vezes.  Depois de você explicar seu problema pelo menos umas três ou quatro vezes para que ela entenda. Então ela vai dizer: “Não se preocupe senhora, vou estar passando a sua ligação para um outro departamento, onde a senhora estará falando com uma outra atendente, que estará resolvendo tudinho pra senhora, que estará ficando feliz e satisfeita, para depois a senhora estar participando da nossa pesquisa de qualidade de atendimento, tudo bem senhora? A senhora entendeu?”. “Sim senhora.” respondo.  Musiquinha de espera de novo.
  
  Hoje em dia as pessoa não pedem mais telefone para paquerar. Pedem o “face”.  Assim já realizam uma pequena pesquisa sobre a pessoa antes. Não é preciso conversar. Em vez de acreditar nas mentiras que a pessoa diz, você se arrisca acreditando nas mentiras que a pessoa posta no “face”. No espetáculo de Improvisação que  estou fazendo, quase toda noite a platéia dá facebook, conexão na internet e telefone, de tema.  No início do século passado, comemoravam o encurtamento de distâncias e as novas facilidades de comunicação.  No início deste está acontecendo a mesma revolução.  São tantas as novidades para se comunicar. Tantas as promoções, está mais fácil viajar. Me pergunto se essas tecnologias todas aproximam ou afastam mais ainda as pessoas. 
  
  Antigamente, na época da Mafalda, os pais iam ao cinema e deixavam o telefone da bilheteria com a criança, ou a babá.  Caso acontecesse alguma coisa, haveria primeiro de se falar com a bilheteira, que deste modo, saberia o nome do filho do casal, conheceria a família deles. A bilheteira encontraria o senhor e senhora X no cinema, e passaria a ligação a eles.  Para poder falar com os pais, o filho teve de ser educado e comunicativo com a bilheteira. Explicou pra ela a situação. Depois de falarem com o filho pelo telefone do cinema, os pais agradeceriam a bilheteira antes de ir embora. Outros tempos. Tinha-se um telefone por restaurante, um por boteco, um aparelho para  o povo de um cinema inteiro.  Hoje pede-se pelo amor de Deus para desligarem os celulares antes do filme e mesmo assim ninguém consegue. Novos tempos.



sábado, 4 de agosto de 2012

O carro na frente dos bois




  Estava atravessando na faixa de pedestres, o sinal estava verde para mim. Havia uma outra pessoa na minha frente, que fazia o mesmo: atravessava.  A mulher que dirigia, tinha os cabelos loiros e bem curtos.  Um nariz empinado, olhos verdes, um blazer bem bonito. Um brincão gigante na orelha e um carrão grande, alto e branco. A postura (e figurino) em que dirigia lhe parecia estar num filme de ação ou ficção científica. No entanto ela esperou para que o pedestre passasse no maior drama! Com aquele farol alto aceso forte na nossa cara e uma cara de brava e apressada.  Como se ela fosse uma super executiva, mega importante, e nós reles infortúnios, ousávamos estar em seu caminho. Ela suspirou fundo e passou acelerando na minha frente, como se tivesse feito um grande favor ao pedestre em parar pra ele passar. E me ignorar. Um reles pedestre, ok, mas esperar passarem dois, já estaríamos abusando da sua paciência. Ela deve ter pensado: “cidadania tem limite!”. Como se ela fosse melhor ou mais importante por causa daquele enorme carrão. Carrão. Tem uma estação de metrô e um bairro paulistano com esse nome. Uma homenagem profética?
Poucos carros são simpáticos. Poucos motoristas também.

   Na esquina seguinte, um outro carro, que estava na esquerda, deu seta intencionando  ir para direita, para fazer uma curva. Deram passagem a ele.  Mas buzinaram tanto para este homem.  Mas tanto.  Eu entendo que na cabeça de seus opressores, ele devia ter mantido a preferencial já que desejava fazer a tal curva. Mas gente, buzinaram, xingaram e saíram cantando pneu! É muito agressiva a tonalidade das buzinas dos carros. Você sai triste, ofendido, se sentindo um idiota. Ou é só muito pentelha mesmo. Na maioria da vezes uma buzinada é pior que um xingamento!  Deveriam inventar uma buzina mais amigável? Que igualmente chamasse a atenção, mas que não fosse tão alta, imponente, poluidora, imperativa. Talvez uma musiquinha mais suave?

   O trânsito de São Paulo parece uma selva.  Agora com o fim das férias, se iniciará o que eu chamo de o próprio inferno. Uma selva de carros pretos e prata, sem fim.  Por que será que não há carros cor de rosa? Amarelo com bolinhas? Ou cores mais leves relaxantes, tipo um verdinho d’agua. De vez em quando aparece um vermelho. No momento “a cara do verão” são os carros brancos, altos e grandes. Tem um ar de serem mais caros e não são confundidos com os taxis de Sampa porque são de design imponente, que os diferencia.  São tão altos, e com rodas enormes, feito as de tratores. Parecem projetados para passarem em cima de qualquer coisa. Ou qualquer pessoa.  Eu duvido que quem comprou este carro tenha feito rally na vida ou uma trilha sequer. Foi comprado com o intuito de assustar mesmo. Um investimento? Um “up”no social de seu dono. Muito mais que somente um automóvel.

  O design destes carros é pensado para impor, assustar. Compare as lanternas a dois olhos humanos.  Parecem muito a um par de olhos nervosos! Sanguinários! Quase os “transformers” do cinema. Já repararam a voz dos locutores nos comerciais de carro? Aquela voz de demolidor! Superior. “O melhor e mais robusto da categoria.”  E que categoria.
  Gente, carro é só um objeto de locomoção, poxa! Objeto que seduz por aumentar a velocidade na liberdade de ir e vir, da qual prezamos tanto.  Porém, ao ser escravo do trânsito, automaticamente se perde essa liberdade.

 Não coloquemos o carro na frente dos bois, quando o boi é o mais importante.
Me sinto muitas vezes culpada de usar carro sozinha, sobram quatro lugares vagos! Antiecológico. Quanto pesa um só carro? Quanto gasta para  levar somente a mim que peso 60 quilinhos?  Me aflige ver tanto espaço inutilizado. Poderia levar uma família inteira guaxinins para passear. E mais quilos de castanhas no porta-malas. Poderia levar alguém ao trabalho, aliviando os ônibus lotados. Talvez alguém muito legal na rua esteja indo na mesma direção que eu e poderia estar vindo comigo, ouvindo o mesmo programa de rádio, dando umas opiniões. Despoluindo o planeta, e ainda, se não se enjoasse em movimento, lendo o jornal para mim.
  
  Tanto trânsito enfileirado. A locutora disse na rádio:  “as férias em São Paulo estão dando um sossego danado pra nós paulistanos. Neste momento a CET registra somente 48 kilometros de lentidão, um recorde de tranqüilidade que há tempos não tínhamos!”. Parece piada , eu sei, mas ela disse isso com a maior alegria.   Como quem diz : “saiam de carro a cidade está livre!”. Gente , 48 kilômetros é a costa inteira da Eslovênia! Não se preocupem , com a volta as aulas voltaremos a fazer a marca de engarrafamento do tamanho da costa do Brasil. Desisto de ter filhos só de pensar nas filas de carro na porta das escolas. Queria poder levá-lo a pé. Eu acho que chique mesmo, seria viver perto de casa e ir ao trabalho a pé.  Agora que o IPI baixou mais ainda, as pessoas estão comprando carros que combinem com o visual da estação.

   Imagine se as cores dos carros fossem divididas por profissão, saberíamos quem são essas tantas pessoas que vão se afileirar sozinhas em suas naves hermeticamente projetadas para a solidão. Por que tudo preto e prata? Por que é mais fácil de vender depois. Cor neutra. Acinzenta mais ainda a cidade.

  Calma, eu acho carro uma ótima invenção. Uma das melhores versões da roda.  Difícil é entender o significado que dão a ele. Para trabalhar todos os dias em uma cidade grande não seria melhor investir em transporte coletivo? Usaria-se o carro no final de semana, pra sair da cidade, fazer compras grandes, mas todo dia?  Usar carro todo dia, para tudo, é um costume muito nada a ver. Por que não adaptar a cidade a outras versões da roda como a bicicleta, o patinete, os patins, o triciclo, o carrinho de rolimã para as ladeiras.

  O prefeito Kassab aprovou projeto que transformará o subterrâneo do centro da cidade, ali em toda região da praça da Sé, num mega estacionamento gigantão. Das cidades que eu conheci as que usam transporte coletivo e investem cada ano mais neles, são as mais chiques.  Acho péssimo esse louvor exagerado ao ter seu “carro próprio”, que diabos isso significa? Já que amamos tanto carro assim, poderíamos dar e pegar mais carona.  Andar de taxi, bonde, aerotrem. Reparar nos acontecimentos, no movimento, talvez ler alguma coisa no banco de trás e ter uma boa idéia. Dirigir não possibilita a riqueza que é poder ir a pé, ou de transporte público. Bem mais chique. Mais enriquecedor, mil vezes mais que atropelar tudo e todos, sozinho ouvindo som alto, se escondendo da CET pra atender o celular. Vence o mais alto, mais bravo e mais barulhento. É uma nervosa, rápida e ao mesmo tempo lenta competição!  Em época de olimpíadas: que vença o maior? Mais caro e mais antipático!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Libertadores Genérico




  Desde cedo já havia começado a preparação do que seria mais tarde a comemoração do título inédito do Corinthians. Fazia tempo que não via a cidade assim. Bandeiras sobre os carros, nas janelas, nas costas de pedestres. Cornetas, vuvulzelas. Motoqueiros com capa de super herói com o símbolo do time. Que é um timão. Com uma âncora e dois remos atrás. Timão é o nome dado a roda ou volante com que se manobra o leme do navio. E também é o aumentativo de time. E é o símbolo do time Corinthians.  Só mais uma curiosidade: a pronúncia de “menininhas” em grego é “corinthias”. Mas quase ninguém sabe disso, e bambi, torcida de menininhas, acabou sendo fama que ficou para um outro time paulistano. Vai entender.
  Muita gente de camisa oficial, faxinha na cabeça andando pela rua. Me lembrou nos anos 90 quando o São Paulo ganhava um monte de campeonatos, e eu sãopaulina, estava no lugar deles hoje. No rádio um torcedor diz “hoje é um daqueles dias que você não vê a hora de passar e quando chegar a noite não quer que acabe nunca mais”. Ele estava certo. Realmente demorou pra acabar.
  Fico pensando que piadas vamos fazer contra o Corinthians agora, já que a principal que mais os irritava, não terá mais efeito. Eu adorava perguntar: “Você sabe oque faz um corinthiano depois de ganhar a Libertadores?”. Resposta: “Ele desliga o play-station e vai dormir”.  Na realidade transformaram o dia seguinte de Campeões em feriado!
Três da manhã e ainda ouvia-se os berros, os gritos masculinos e femininos, as buzinas. Quatro e meia e ainda tem fogos de artifício explodindo.  Olho no rádio relógio na escuridão do quarto e são seis da manhã e em coro escuto “timão êo”. Era a feira sendo montada na rua de trás de casa. Quando achei que as seis, conseguiria dormir, descubro que os feirantes são todos corinthianos e começaram a soltar mais rojões logo cedinho. E cantaram mais um pouquinho antes de começar a trabalhar.
  Claro pela manhã, as dez, lendo o jornal, se vê a quantidade de casos violentos gerados pela alegria corinthiana. Violência, atropelamentos, embriaguês.  Mas eu não posso deixar de observar o quanto a alegria propriamente dita  de todos que estão felizes com o título é positiva. Super positiva, uma energia muito alta! Aquele estádio lotado vibrando em conjunto por uma vitória. Dois milhões de pessoas muito felizes! Uma prova disso é o segundo gol. Creio  que aquele gol foi da torcida. Forte e firme como estava desestabilizou o jogador do Boca que possibilitou que fosse realizado o segundo gol do Corinthians  Oque eu quero dizer é que algum inglês inventou o futebol. E pensou em tudo. A base era: botar vinte e dois caras pra correr atrás da esfera de couro e se organizarem juntos para dominá-la. Quase um treinamento de guerra. Uma forma pacificista de guerrear. E creio ter sido criado por bons motivos, mesmo que o inglês em questão nem tenha percebido.
 O rugby é bem mais violento. A primeira vez que eu fui a um jogo de rugby, no Chile, me lembro de ter ficado muito impressionada. A torcida era completamente diferente. Tinha mulheres com luvas de couro e chapéu. De pernas cruzadas e cara blazet. Quando tinha gol, elas se levantavam aplaudiam e sentavam de pernas cruzadas de novo. Os homens, como sempre, eram um pouco mais enérgicos, mas nada comparada a torcida do timão (apelido do Corinthians) no futebol. Ouvi de um jogador: “o rugby é um jogo rude, jogado por homens cavalheiros. E o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por homens rudes.” Concordei na hora, pois no rugby você pode esfregar a cara do indivíduo no barro e não será falta, e eles impressionantemente naquela brutalidade toda, não se machucam como no futebol onde não vale o toque que não seja dos pés na bola!
  Mas é impressionante a movimentação energética que acontece nos jogos. Este ano teremos olimpíadas, gostaria de saber se diminui a violência do mundo nesta época, sem contar a da imprudência do exacerbo da alegria gerada do esporte.
 Estou fazendo espetáculo de improvisação no teatro, e soube que em alguns países o improviso é considerado um esporte. No esporte as pessoas não esperam acabar o espetáculo para aplaudir, elas vibram durante toda a execução do mesmo.
 Uma vez um colega de teatro convocou seu grupo de atores para ir até a Avenida Paulista fazer um intervenção teatral. Eram dias insuportáveis de quente em São Paulo. Os executivos continuavam a se vestir com paletós e gravatas. E a sair para almoçar ao meio dia, quando o sol estava a pino. Muito quente mesmo, estava fazendo quase quarenta graus em clima seco.  Os atores então se vestiram em trajes de banho: biquínis, sungas, chinelos. Munidos de raquetes de frescobol, guarda-sol , e tudo mais que remetia ao que aquele clima propunha: praia.  Eles sugeriam que os passantes de uma Avenida Paulista ao meio dia , lotada, passassem protetor solar, usassem borrifador de água no rosto, jogassem um voleibol ou deitassem um pouco com alguns deles nas cangas estendidas debaixo do guarda-sol, na ilha, em frente ao MASP. O vendedor de sorvete ficou por ali mesmo, compondo a cena realística. Foi o tipo da coisa que além de atrair todos os jornais, como fazem os esportes, simplesmente mudou brutalmente a energia cotidiana daquela Av. Paulista naquele horário.  Como fez a final da Copa Libertadores  com a cidade inteira este ano.   Outra intervenção que este grupo de teatro quis fazer, foi “O  Ano-Novo no meio do ano” na Paulista. Todos de branco, e após a contagem de 10 à 0 gritar “Feliz Ano Novo!!”  bem alto e com veemência! E em seguida abraçar a todos, brindar e desejar muita saúde, felicidade, prosperidade, e todas essas coisas que se desejam um ao outro na passagem de ano. O grupo quis provar que a manipulação de energia acontece, transforma o espaço e tem efeito incrível.
  Pensei que baseado nisso tudo, podíamos criar  uma Copa Libertadores Genérica! Se utilizar dessa paixão, dessa mobilização pra conseguir outras coisas, tão importantes ou mais que chegar ao Mundial em Tóquio. Como acabar com a corrupção por exemplo. Tomar decisões através de jogos .  Haveria as torcidas a favor de idéias que são a favor, ou contra. Imagine como seria um jogo de futebol que decidisse se é necessário cotas para negros nas universidades ou não. Se Demóstenes Torres deve ou não ser preso em vez de cassado. Imagino o tanto de bicheiros e donos de cassinos na torcida.  Se é mesmo necessário usar paletó num calor de quarenta graus. Seria a torcida organizada mais chique de todas, com estilistas do mundo inteiro querendo decidir os modos de vestir com formalidade!  Teria um desfile do vencedor.  Ok, fui longe demais. Fazer oque,  fiquei pensando essas coisas! Afinal não podia dormir. A energia, os gritos, e os rojões não deixavam, tive que pensar em alguma coisa. Um jogo de tenis onde se decida o segundo turno de uma presidência de república! Claro, seria após votações. E ainda depois, iríamos para o teatro encenar as formas, caminhos e cores de governo. Acho que nesse caso as torcidas se mesclariam. Como os políticos fazem, se odeiam ontem, se apoiam hoje. Que venham as olimpíadas! E salve o São Paulo Futebol Clube! 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Templo é dinheiro




  Religião vem do termo religare, em latim. Significa o modo de conectar-se ao que é divino. Templo é o lugar pra se fazer isso. É um ambiente material, custa dinheiro. Não só a estrutura, mas todo seu marketing e divulgação. As igrejas disputam público com os teatros, bares e academias. Afinal é possível religar-se com arte, gastronomia, literatura, ioga, corrida...

Pra mim, nada mais é tão divino quanto um determinado bolo de chocolate com recheio e cobertura, acompanhado de um cafezinho amargo. O templo para isso seria uma doceria. Me conecta com o infinito. Divino para Carlos Aparecido pode ser um doce de cupuaçu, templo: frutaria. E para  Carla Aparecida, o divino nem doce é. Pode ser um churrascão com cerveja num domingo de sol. No quintal de sua casa, seu templo. Para um vegan, divino é uma cenoura crua, fresquinha, e assim por diante.
     
 Tem as três mais antigas  religiões do mundo e um montão de derivadas, paralelas, adjacentes, equivalentes ou congruentes. Tem religião que se religa cantando, ou rezando quieto de olhos fechados. De joelhos com terço na mão repetindo as orações decoradas. Tomando chazinho de mato no meio da floresta. Algumas preferem religar  ao som de batuque bem alto, canto, música, chocalho, incenso, saia rodada, coreografia, comida. Muita festa, charuto. Outras ficam em silêncio por horas. Recitam milhões de vezes  mantra “nam yoho rengue kyo”, “om mani padime hum”, somente "ohm", entre outros representantes do som do universo, ou do som da voz de Deus. Tem gente que conversa com Deus como se fosse um analista. Outros como se ele fosse um pai culpado de tudo isso, e se implora clemência a ele. É como se o indivíduo exigisse seus direitos : “ora meu Deus! Faça-me o favor! O Sr. me botou nessa, agora me ajude, ok?”

 No Brasil podemos ver várias formas de se religar convivendo.  Religiões aqui é quase uma modalidade. Não parece que seja um grande problema as tantas diferenças. Embora o deputado Feliciano Filho do Partido Verde esteja tendo problemas com o Candomblé.  É que desde o começo do ano ele está tentando aprovar a lei que proíbe o sacrifício de animais em rituais religiosos. A lei prevê multa de até 5 mil reais para quem botar galinha assassinada em alguma encruzilhada.  A lei não proíbe o assassinato do perú de Natal. Pois serve para alimentar o corpo físico do católico e não para agradar a nenhum Exu. Ou qualquer que seja o  orixá precisado do "trabaio". A Umbanda que é mistura de Candomblé com Jesus Cristo e outros santos católicos, não se manifestou. Mandar perfumes para Yemanjá continua liberado. A morte das plantas de Alfazema não altera a sustentabilidade ambiental restabelecida na Rio mais 20.  O bom cheiro do perfume é até bem vindo. Quem não deve curtir muito o ritual são os garis da praia, que limpam toda a devolução de presentes que fazem de oferenda á Santa. É bom para o mercado interno que Yemanjá prefira Alfazema. Como rainha do mar, ela já deve ter conhecido outras fragrâncias, como a Verbena Chilena, ou os aromas de Capri, porém permanece fiel a erva brasileira. Conservadora, ela também continua receitando as mesmas “ervas de corte” aos seus filhos se protegerem, há tempos.

 Religião sempre se misturou com política?  O Oriente Médio que o diga.  Vi no jornal há poucos dias : " Os católicos apoiam o ditador da Síria". Talvez porque queiram ver a Síria transformada no grande templo deles?

  Se me oferecessem, quando eu comecei a votar aos 16 anos, uma merenda de bolo de chocolate na escola pública que estudei, no lugar daquelas malditas bolachas de maisena murcha, com café ruim e leite em pó, ou macarrão parafuso com salsicha, é capaz que eu tivesse sim repensado meu voto. Iria aprender matemática conectada ao que me conecta ao divino: chocolate. Servido no intervalo. Provavelmente teria sido uma aluna e pessoa melhor em sala de aula. Um ser humano melhor.    Oque é bom pra mim seria bom pra todos ao meu redor. Afinal, com a alma aquietada pelo chocolate de qualidade (meu fator religante que me traz paz) não teria feito tanto bulling em meus coleguinhas. Teria sido uma adolescente menos revoltada, portanto instrumento de Deus e mais útil a sociedade que eu fazia parte. Aliás é por isso mesmo que na guerra os soldados comiam mal. Se comessem bem, não guerreavam direito. É mais ou menos por isso que religião e política sempre se precisaram.

  Falando em adolescência, como não mencionar a MC Carol!  Ficou famosa como a "menina pastora". Diva do You Tube.  Aos 5 aninhos ela proclamava: “É maravilhoso!  Conselheiro!”. Mais de um milhão de views. A menina cresceu e continua crente da Assembléia de Deus (não a que  estuda a lei de Feliciano) e recebe uma porcentagem do Google pela obra. Que é hilária. Me diverti mais com a menina pastora e seus funks, do que com muita cena de comédia em teatro por aí. Convincente, sabe? E fofinha, como toda criança, cheia de graça.

 Existe hoje uma outra menina pastora, árabe, chama-se Lara.  Ensinaram a menina que os inimigos roubaram os pais dela, os avós, e que todos os israelenses são do mal. Ela tem um programa de TV e fica dizendo isso nele. Lembra a pequena Maysa do SBT: um estouro! Lara está famosa por lá. Está em todos os jornais e responde a processos onde é acusada de incitar o ódio entre as religiões. 

A Universal do Reino de Deus, que também é crente, mas com uma maior super produção, está construindo lá no Brás, um templo. Tão grande quanto o da João Dias.   Não paga imposto porque é instituição religiosa. Belo negócio.  Quanto deverá custar aquele... monumento  arquitetônico? É uma espécie de  arco do Triunfo da França somado a umas colunas romanas. Um gosto que até Deus duvida. Pega dois quarteirões. É gigantesca. Eles gritam com muita fé, dizendo que tudo é em nome de Jesus. Mas Jesus não era humilde e sem posses? Pois é tudo no nome do Homem, mas no papel material empestado a um nome de algum outro homem. Que provavelmente ficou e ficará cada vez mais rico com aquele empreendimento. 

Dizem que a Universal disputa a tapas fiéis com a igreja Mundial. Mesmo estilo de show, apresentação, só que um pouco mais "dark". Alguém deveria sugerir uma aliança. Um monopólio: a Intergaláctica de Deus?

 E falando das bandas fora deste planeta como não mencionar o mais "templo que é dinheiro" da moda em Hollywood, a Cientologia. Igreja de Tom Cruise, Jhon Travolta e outros “american famous”. Acostumados a roteiros de cinema, os astros adotaram como bíblia, um livro de ficção científica. Que pode até ser verdade. Eu não duvido. Não duvido mesmo. Sugere que somos assim insatisfeitos, porque estamos na Terra exilados. O kardecismo já falou algo parecido em um de seus estudos, mas de forma diferente. A cientologia diz que vivíamos longe daqui, em um lugar onde éramos felizes. Tivemos um problema político com um ET líder deste lugar, que achou que não merecíamos ficar lá.  Nos trouxeram pra cá. Aí começamos a ter descendentes com os animais. Darwin já haveria começado a sacar essa teoria. E como ainda lembramos vagamente do que aconteceu, nunca estamos felizes.  Ficamos o tempo todo tentando lembrar de onde viemos e para onde vamos, pois queremos voltar pra casa. Super interessante!

 Pra finalizar, já ouvi muita gente dizer "minha religião é o teatro”. A minha é espírita, mas é o teatro também. É o cinema. É um livro, um poema, uma flor, uma onda no mar. Ou uma igreja belíssima, fechada com vitrais coloridos. Uma torta de espinafre. Uma tarde de sol com hare-krishnas comendo maçã com canela ao som de mantras. Sería legal experimentarmos todas! Sem sermos fanáticos com nenhuma. Qualquer religião pode de determinada forma, fazer bem a determinado alguém, por um determinado tempo. O ritual, a experiência. Seria um bom começo para respeitarmos mais as diferenças. Fanatismo embora lucrativo, não faz bem em tempo algum. Como ir ao teatro ou ao cinema. Tem dias que quero ver Brecht outro dia cinema americano, outro dia ir a uma quadrilha de festa junina. Um pouco de cada. Na época certa. Sem fanatismo.