quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Poesia da enxaqueca


  Já ouvi que ateus não acreditam em Deus enquanto estão saudáveis. É só estarem doentes para se lembrarem inclusive da palavra Deus, que quase nunca pronunciam, é com  “D” maiúsculo. Eu quando tenho enxaqueca, me revolto com deus. Não posso acreditar que Ele é tão cruel a ponto de me deixar sem enxergar direito! Minha visão quadro do lado esquerdo some, fica toda xadrez, meus olhos doem, minha cabeça... Ai meu Deus! Nesta época do ano piora e por quê? Deus  é que sabe. O neurologista mesmo sabe nada. E eu que só escrevo assim. Como penso. E como estava assim morrendo de dor, fui ler poesia de um jeito poético. E comecei a escrever diferente. No escuro, num canto. Sem revolta , com doçura.
Sentada na cadeira
Debruçada na mesa
 as luzes da casa apagadas
Só o abat-jour aceso restava.
Com Deus não queria conversa
Só deixei a mente dolorida, aberta.
Recolhida pela dor, sem saber o que fazer
Encontro um livro de amor e na luz fraca comecei a ler.
Como podem escrever assim?
Era letra com melodia lida.
Mesmo com ouvido moído.
Era estranho como o que eu lia, eu ouvia!
Naquele canto esquecido
Me invadia a poesia.
Enquanto a dor me contorcia
Sobressaia a alegria
Que cura pela cabeça
A marvada da enxaqueca.
  Escrevi uma poesia. Bem mambembe e com pouca técnica.  Os modernistas a aprovariam.  Senti vontade de ser poeta! Poetiza. Coisa que nunca me passou pela cabeça quando estava sem dor. Deus escreve certo por linhas tortas. Se não fosse a dorzinha, não teria tido a linda madrugada que tive, sendo curada pela poesia.

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