Band-aid nome
provisório de um curativo pequeno, está até no Aurélio. É que curativo pequeno
é palavra dupla e grande. Uma vez fui pegar uma travessa de doce na geladeira,
ela se espatifou no chão espalhando tudo e cortando meu tornozelo em alguma
veia que jorrava muito sangue. Como na casa que eu estava não tinha band- AID,
nem esparadrapo, colocaram silver-tape e fizeram em mim o que batizaram de “ponto
falso”. Estava mesmo bem aberto, e sem o
tal ponto falso ficaria sangrando e sujando a casa de viagem toda . O procedimento evitou que ficasse em mim uma
marca feia e aberta. No final das contas
não mais necessário foi ir ao médico fazer ponto verdadeiro. O ponto falso
funcionou bem. A marca hoje existe, é pequena.
Quando fomos a cidade não quis estragá-lo pois estava funcionando, então só troquei a silver tape por um
esparadrapo branco, onde utilizei da mesma técnica para continuar forçando meu
corpo e suas plaquetas a resolverem a situação da abertura da pele, com a
tecnologia que eu dispunha.
Como se machucam os
índios que vivem ainda com pouca roupa
que os protejam? Imagino que para eles a natureza seja mais macia que uma casa
cheia de eletrodomésticos perigosos, móveis e vidros pontiagudos, ainda mais os
modernos dinamarqueses. Será que se machucam
menos? Tenho uma amiga que fez uma cirurgia no pé porque o torceu andando numa
superfície reta, com um salto alto chiquérrimo que lhe custou alta quantia, lhe
ferindo algo de muitíssimo mais valor: o próprio corpo, cujo o qual não pode
existir nada mais de valioso.
Um índio tem índice
de intoxicação por carne estragada? Pode processar o curandeiro por
charlatanismo ou o cacique por corrupção? A carne chega a estragar numa tribo
indígena, ou só comem carne de peixe?
Afinal usam um outro sistema de armazenamento e cozimento que usam. Não?
Intermináveis são as
discussões sobre inclusão do povo descendente de negro e índio que está em
efervescência no país. Aonde eles querem ser incluídos? Os negros querem
igualdade e que paguem a dívida social.
Os escravocratas já morreram. Em vez de fazer uma super sessão espírita
que convoque os que erraram antes, teremos que negociar com os vivos presentes
de hoje mesmo. Indios e negros tem
motivos e questões distintas, que devem começar a ser testadas, uma a uma,
provisoriamente até se acertarem, pois toda raça humana, seus grupos e etnias estão
passando por revoluções de pensamento e comportamento. Ainda bem.
Teremos de todos nos organizar a fim de que o respeito e a
liderança de cada cultura se pulverize e se auto-reja com igualdade de
representantes num mundo globalizado. Imagine se os japoneses quisessem cotas
em universidades públicas? Só tem japa na USP! Eles deveriam pedir cotas na NBA
para terem o direito de representatividade no basquetebol. Árabes devem querer
descontos nos tecidos afinal as moças deles cobrem até os olhos, enquanto que
as índias andam nuas e tomam banho de rio ao léo sem véu.
A política de cotas, a
pena de morte estão sendo pensadas, mas me parecem tapar sol com peneira. Fazer o quê se estamos em tempos de sol a
pino, aquecimento global e a própria peneira já ameniza o sol escaldante? É tão absurdo que sejam necessárias cotas em
universidade, em poder público para negros e índios, assim como é tão absurdo
que seja necessário ter que pensar em retroceder com a pena de morte, só porque
os homicídios tem aumentado nas ruas. No entanto eu concordo que se discuta
tudo isso por um só motivo: acredito nos caminhos do porvir! Toda essa
baboseira tão importante e fundamental, será motivo de piada quando um dia
atingirmos uma sociedade justa. Onde se
consiga uma ordem. A ordem será o respeito, o consenso. E sempre haverá
reajustes. Eternos reajustes.
Este dia chegará
depois de muita luta, mas não a com sangue habitual das décadas anteriores, que
mostrou-se ineficiente e gerador do sentimento de vingança, mas a luta que
queima neurônios para chegar as melhores idéias. E coragem para testá-las com
suavidade, sem traumas, com a concessão de todos envolvidos. Esse meu discurso
é mesmo patético. Meu sonho de miss: a
paz mundial.
Ontem queimou a
lâmpada da cozinha, quando finalmente eu havia ajeitado a iluminação da sala.
Assim como na minha casa sempre vai faltar uma coisinha aqui e ali, as
políticas irão se ajustando de acordo com as necessidades, não é mesmo?
Num país tão grande e miscigenado como o
nosso, e onde principalmente existem além dos imigrantes brancos de todas as
partes, há um fortíssimo traço de população negra e índia, é mais que evidente
que haveria de já estarem de velhos, super incluídos nas políticas todas:
econômicas, sociais e culturais. Acho
válido que por sua tamanha expressão no país tenham correspondentes nas
lideranças para estarem com todos os outros representantes, juntos na mudança de
pensamento neste país. Vamos conseguir, somos bons nisso. Vide o Bom Retiro cheio
de árabes e judeus ortodoxos almoçando em restaurantes koreanos!
Todavia o Brasil
sempre copiou ou foi influenciado por tantas culturas, e agora precisa unificar e fortalecer a sua própria. Significa unir todas aqui presentes, não mais
segregar. Mesmo que pra isso sejam adotadas medidas provisórias, progressistas,
mas humanas antes de tudo. Um humano que entende que tem mais de mil versões
étnicas, cada vez mais miscigenadas, e que também sabe que é parte de um
planeta que tem a obrigação de manter, usufruir e também fornecer,
equilibradamente.
Atentemos a afobação arqui-inimiga da perfeição. O desespero
por justiça virou ganância de um estadista como Getúlio Vargas criando governos
provisórios onde havia uma urgência de organizar os trabalhadores/exploradores
brasileiros. A ditadura militar tinha a urgência de eliminar a possibilidade
comunista. E todas as urgências afobadas que terminam em más experiências que
atrasam a evolução que todos almejam.
Que tudo seja
analisado e votado. Qual resposta será há a mais cabível para todos hoje?
Uma sociedade mais justa consequentemente diminuirá a violência
que poderá evitar a necessidade de pena de morte. Cotas para uma raça que
reclama de exclusão centenária, terras para uma outra que não quer precisar de
cotas, mas ter o direito de viver como acha que deve em terras de seus
ancestrais. A terra é de todos ancestrais. Organizemos o espaço. Ninguém vai
ficar sem terra para que alguém tenha a mais. Todos tem ancestrais, todos
querem cotas, todos querem terras. Eu preciso de terra somente para o meu
jardim, o máximo que eu planto são manjericões para o molho de tomate. Como
filha legítima da cidade concreta, minha necessidade é outra.
Deve importar menos o passado, que só nos serve aprender com os
erros e mirar em acertos futuros.
Pensemos no presente e no futuro sem temê-lo, mas resolvê-lo sem pressa. Uma
medida pode prevalecer outra deve sumir, mas devemos tentar o novo sem medo.
Vivemos um tempo de pura transição. Para algo que ainda não
sabemos ao certo o que é. Aqui chamamos
de caminhos do porvir. Que só virão de fato, assim mesmo: testando, sem trauma,
ocupando lentamente. Nada de enfrentamento ou comparações. Em vez de divergir e confrontar: concordar, adicionar,
encaixar para todos, que somos um tipo: brasileiros. Humanos. Terráqueos.
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