Nunca me senti tão
confusa para votar . E entender o que
diz o jornal. As notícias não batem. Incêndio em favela, ONU parabeniza São
Paulo por melhorar habitação dos pobres. Foto de Maluf apoiando o PT, Russomano
em terceiro lugar depois de estar o tempo todo em primeiro nas pesquisas. Além da
última vez que eu fui assaltada. Já me
aconteceu muitas outras vezes. Mas arrastão em restaurante foi a primeira.
Eu estava morrendo de
fome. A comida pousou na mesa pelo garçom. Na hora que pego nos talheres, entrou
um moleque. Depois outro e depois vários. Todos bem vestidos para assaltar.
Estavam juntos, notei depois. Seria coincidência mais de um assaltante mesmo
lugar? Imagine se um deles dissesse: “vai embora , cheguei primeiro!”. Uma
quadrilha de festa junina. Fiquei com medo que levassem minha refeição. Não anunciaram o assalto como nos filmes, foram
fazendo aos poucos. Roubando cada mesa, as vezes a mesma, e apavorando geral,
com frases e palavrões típicos e sotaque paulistano da nossa periferia. Eram
meninos.
Não pareciam ter
experiência no ramo em que estavam. Quase lhes dei meu cartão para que me
ligasse a fim de eu fazer uma consultoria. Para que no próximo assalto se
desenvolvessem melhor. Nem sequer tinham sacos para botar o material roubado
dentro! O carro eles tinham e saíram cantando pneu. Óbvio que assim seriam encontrados!
Um dos baby assaltantes não sabia se roubava ou não o whisky do bar. Talvez não
soubesse se caberia ou não no carro, ficou indeciso, como os eleitores de São
Paulo. Olhou a estante do bar, pegou um. Devolveu. Pegou de novo e acabou
levando algumas garrafas de bebida. Devia
ser o alcólatra da turma.
Desconfio que eram
atores contratados por partidos políticos que disputavam a prefeitura da cidade.
Era semana de eleição e eram amadores demais. Apoiados pelo atual governo,
receberam um cachet para fazer aquilo. Uma estratégia de marketing. Nós vítimas diríamos em nossos blogs e facebooks
que a polícia funciona. Pois nossos
pertences foram encontrados um dia depois.
Eu não ligo que a
polícia funciona. Queria uma política que evitasse que esses meninos
passassem aquele papelão atrapalhando
meu jantar e de quebra botando minha vida e a deles em risco. Eles deviam estar
jogando capoeira, aprendendo inglês, estar de aprendiz de algum ofício,
namorando. Estavam na puberdade! Acabada
a ação deles, sem meus pertences, eu comecei a comer. Em volta as damas se
abanavam, suspiravam de medo e aguardavam a polícia ( e seus maridos, pois pra
mim era tudo charme) salvá-las. Eu ainda ganhei o jantar de graça! Não precisei
pagar! Ganhei uma crônica prontinha. Eu devia ter pedido mais comida, eu sabia,
tive esse “feeling”. Levei o restante pra viagem.
O que será que queriam fazer com aqueles I-phones todos, se
são bloqueados pela Apple? A delegada que fez meu B.O. disse que os assaltantes
tem um vigoroso sistema que desbloqueia. Quando fui buscar meu celular na
delegacia, eu tinha esperança de que já tivessem conseguido desbloquear o meu. É que a minha operadora
o havia bloqueado por falta de pagamento. Na verdade por falta de receberem meu
recibo.
Como atriz meu sonho
sempre foi ser aquelas mulheres de bandidos. Que sabem atirar, que sabem
enganar e também sabem ser muito chiques, tipo a Júlia Roberts em “Onze homens
e um segredo”. Ladra famosa. Casal de golpistas que vai a cassinos e reuniões
com banqueiros e acionistas. Não era o caso de nenhum deles. Mas claro, devo
admitir que se deve ter coragem para fazer aquilo. Deve dar um frio na barriga
danado. Fico pensando se fizeram aquilo por necessidade ou por emoção. É uma
adrenalina que nem saltando de avião em queda livre se consegue. E se tivesse
sido completado, mais ainda. Falando em
completar meu celular não completa chamadas. Eles esqueceram, ou não tiveram
tempo de desbloquear.
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