Ser vegetariano é
chique. Pega bem. Diz a profecia Maia que no ano de 2012 mudaria o eixo da Terra. Não sei muito bem o que isso
significa. Mas parece que ao mudar a tal ordem mundial, tanto a moda, costumes,
como as tendências mercadológicas, começariam a vir do oriente. O que já vem acontecendo
desde os anos 60: a orientalização do ocidente. A China hoje não é só um gigante.
É um tigre gigante! A China comanda a energia do mundo. Inclusive a nossa no
Brasil. Os chineses acabam de comprar as
empresas de energia que eram dos espanhóis.
A energia passa de européia a
oriental. Parece que foi em religiões orientais que a estória de vegetarianismo
começou. Não é na India que a vaca é sagrada? Comem cachorrinhos por lá?
Enfim, ser
vegetariano por aqui, dá idéia de ser mais saudável, o que hoje é super “cool”. O vegetariano deixa de ser, como dizem
os budistas, um “fantasma faminto”, e torna-se uma pessoa mais leve. Que faz
sexo tântrico, yoga. Que recicla, que é contra o sangue derramado em guerras. Um sentimento “new hippie” para nós
ocidentais.
Bem... Uma grande
amiga minha, gringa, diz que a partir de sei lá quando, virou vegetariana .
Nunca tinha sido antes. Desconfiei e
respeitei. Ela estava convicta. De férias no Brasil, eu tive de eleger o lugar
onde iríamos almoçar. Aonde? Liguei para um da lista do restaurant week da
cidade, onde estávamos de viagem. Chamava Veg Villagio restaurante. Pelo nome
imaginei que era veegan.
- Restaurante Veg Villagio, bom dia.
- Bom dia. Quero fazer uma reserva e preciso saber se vocês
tem prato vegetariano.
- Temos sim.
- Perfeito. São três pessoas.
-Que horas?
- Daqui á 30, 40 minutos.
-Ok, feita sua reserva.
-Legal. Moça, pode me dizer como são os pratos vegetariano?
- Posso sim. Temos de todas as cores.
- Como assim?
- Que cor a senhora gosta?
-Que cor eu gosto?- vai que era um código veegan - Olha...Não é pra mim. Eu como carne.
- Ah,nossas carnes são maravilhosas. Eu sugiro baby beef mal
passado, com batata sautê.
-Minha amiga é vegetariana. Pergunto por ela. Aí tem carne?
-Não se preocupe, temos frango e peixe, sua amiga gosta?
- Moça,minha amiga é vegetariana.
- Sim, sim, nós temos peixes vegetarianos.
- Peixes vegetarianos. E os pratos vegetarianos como são?
-Eles comem algas- disse ela me interrompendo.
-Quem come alga, o peixe? A minha amiga também.
- É mesmo? É que temos um aquário aqui no Vila Villagio
cheio de peixes comedores de algas.
- E podemos comer o peixe do aquário?
-Sim, matamos ele na hora é só a senhora escolher.
- Moça, eu preciso saber como são os pratos ve-ge-ta-ri-a-nos,
que significa que só vai vegetais, nada
de peixe, nem frango.
- Senhora, a Veg Villagio vende a comida e os pratos onde
vai as comidas. Você come o prato, quer dizer, a comida que vem nele, e de
quebra ganha o prato pra botar de enfeite na parede da sua casa.- ela falava de
modo vacilante como que tentando se lembrar do texto mal decorado.
- Entendi. Os pratos são decorativos.
- Sim temos de todas as cores, vários temas, desenhos de
peixe, frango e vegetais. Ah, e flores também. Ah! Oi , alô?
- Oi.- já cansada dela.
- Tem também aquele com uma moça com os seios de fora, corpo
metade de peixe e com um abacaxi na cabeça. É o último.
-Certo- já quase desistindo- Mas como é a comida vegetariana
que vai nesses pratos que são coloridos, decorativos e repleto de temas. A
comida vegetariana. Como é?
- Não sei moça nunca experimentei. Mas é boa, eu acho.
- Ok, obrigada, deixa pra lá. Acho que minha amiga
vegetariana não vai gostar de me ver escolhendo o peixe que vocês vão matar pra
eu comer... Cancele a reserva.
Enquanto isso minha
amiga me pressionava para irmos embora! Dizia estar morrendo de fome e queria
que eu encontrasse logo o raio do restaurante . Liguei para um outro da lista
que se chamava “ A Vaca redentora”. Com esse nome pensei que podia ser de
comida indiana. E lá deve ter a tal veegan, verde, ou seja lá o que for.
Estava com muita
fome a esta altura. Em vez de ligar fui direto. Descobri ser um rodízio. Sim, uma
churrascaria tipicamente brasileira. Expliquei para minha amiga que todo
rodízio brasileiro tem um buffet enorme de saladas. Mato não iria faltar. E que
culturalmente seria legal ela conhecer um rodízio. Falei das plaquinhas que são
como semáforos na mesa. “Sim” para mais carne e “não” para quando queremos dar
um tempo. Isso só existe no Brasil! A fome, e um pouco de curiosidade, a fez
concordar. Eu num lugar deste mais pareço uma planta carnívora.
A planta carnívora
fica parada esperando vir a mosquinha, que gruda nela e em seguida é ingerida
pela planta. Eu na churrascaria, fico igualmente plantada, quieta esperando o garçom trazer a carne, botar no
meu prato e depois eu a vou ingerindo.
Defendia durante o
almoço o não fanatismo. Já fui vegetariana por um tempo, vampira por alguns
meses, gente, eu mudo o tempo todo. Mas uma coisa nunca mudou em mim. Meu pavor
por lesmas. Pavor mesmo. Medo profundo. E
no prato verde de minha amiga eu avistei uma. Caímos juntas para trás.
Ela de nojo, eu de asco e pavor. O restaurante todo notou nosso horror. Neste
dia o bicho morto e bem passado para “ao ponto” estava uma delícia, mas perdeu
imediatamente o sabor, pois aterrorizante
foi ver o bicho vivo e não
comestível, ali, no prato e ao mesmo tempo no habitat natural dele o alface.
Provando que o vegetarianismo e o tal do equilíbrio ser muito perigosos.
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