terça-feira, 9 de abril de 2013

Cidade reflete cidadão (NYC- segunda semana)

  Ontem vi a cena mais catártica de Nova Iorque para mim até agora. Um husky siberiano puxava rua acima um cara em seu skate no Central Park! Me lembrou Larusha, minha amada e falecida husky siberiana, ela me puxava em meus patins como se eu fosse um trenó, sem o mínimo esforço.  Afinal os antepassados dela faziam isso da vida, puxar trenós. Os cavalos aqui trabalham puxando carruagens desde o século retrasado, mas hoje, são para passearem os turistas, conduzidos pelos imigrantes que no caminho vão contando a história da cidade.
  Vejo por aqui  todo tipo de cachorrinhos e cachorrões, muitas diferentes raças, a maioria fofas e peludas. E de fato são parecidos com seus donos, tanto na figura como na personalidade. Parece que nas grandes metrópoles as pessoas são mais cercadas de gente, porém são mais solitárias, e talvez por isso os cães, famosos pela fama de melhores amigos do homem, façam tanto sucesso por aqui.

  Eu não gosto de comprar animais pois sei que existe um monte abandonado. A Larusha era imigrante em casa. Tinha sido de outra família e nos foi doada já grande, porque os donos foram migrar para Miami e não queriam levá-la.

   As pessoas acabam comprando pois procuram  uma raça que combine com elas, com seu estilo de vida e personalidade.  E aqui tem gente de todo tipo possível imaginável, e para tanto, cachorros de todas as raças. É lei castrar todo e qualquer bichinho, se quiser ter um. As ONGs que cuidam dos abandonados, são deveras competentes, pois não há um sequer na rua.


    Vi uma peça iraniana, passada em Nova Iorque , com atuação de libanesa, americano do Texas ( que significa “terras” em espanhol) , mais outros atores gringos, que na verdade são igualmente new yorkers.

   Nova iorquinos  são americanos ou não, que descendem de tudo quanto é canto. Imigrantes que ficaram ou vão ficar, ou que os pais ficaram, são a maioria. Do mundo inteiro, mas nenhum é miscigenado. Tem índio e negro, mas não se vê mulato ou mameluco. Tem chinês, coreano e japonês, não vi niseis. É fácil olhar um americano russo, ou irlandês, polonês, alemão, e saber exatamente, embora parecidos, qual é a casa dos antepassados dele. Se houver mistura é muito sutil, pouca.

  Larusha  era branca com capa marrom, olhos quase brancos de tão azul claro, era pura, nos deram com pedigree e árvore genealógica.  Os que tem aqui também são puros. Muito amáveis pois se misturam, vão caminhar juntos com o mesmo dog walker em Central Park, obedecem as mesma leis, comem comida macrobiótica, só não cruzam entre si. Se cumprimentam com alegria. Vivem juntos há muitos anos em harmonia e democracia, afinal nada mal esta cidade, é bom mesmo aceitar as regras e viver bem pra caramba assim mesmo.

   Percebi gente que mora aqui há décadas, mas só tem amigos mesmo (desses que vão na casa da gente com ou sem festa) do  país de origem.

  Minha mãe que me perdoe por isso mas eu amei mais a Larusha do que a Giuli, cachorrinha que me viu nascer. Por que a Larusha me conheceu na fase do sonho, quando eu era adolescente, estava fazendo meus primeiros planos de vida.  Mais tarde cheguei até a fazer kite roller com o patins, porque antes eu fora treinada pelos músculos de Larusha que me puxavam como trenó pelo parque com aquela classe e energia para correr sem igual. Quando Larusha escapava, não parava mais de correr, nem pra olhava pra trás. Ela pegava a Raposo Tavares, era impressionante a força e rapidez. Pra alcançá-la tinha que pegar carro.


   Uma vez no cio, indomável Larusha fugiu para bem longe. Acho que no fundo ela sentia falta de família anterior. Foi parar no km 30 da Raposo, já em outra cidade. Morávamos no Bonfa que é no km 12.  Lá estava ela,  já em Cotia e prenha de um vira-lata. Foram 5 lindos filhotes iguaizinhos a ela, não puxaram nada ao pai, um negão.

    Não pode dar comida aos esquilos. Eu amei esses esquilos, mais que os cachorros, queria um deles pra mim. Pistache é alimento de esquilo, não vai fazer mal. Levo todo dia um punhado pra eles, pra tentar fazer amizade, mas eles pegam o pistache, comem e vazam, ansiosos. Esquilos são como os nova iorquinos viciados em café, andam com seu copo cheio na mão pois não há tempo para sentar e tomar, ansiosos, trabalhadores, com pressa.

  Então fomos no Riverside park, eu e um esquilinho velho.  Todos cachorrinhos na coleira, porque soltar é proibido.  Um especial, peludão, parecia a Priscila da Tv Colosso, veio todo meigo. Apareceu do nada! Puxou o dono pela trela e nos veio dar um “hello”! Latiu e inglês como se nos cumprimentasse! Feliz por estar tocando pela primeira vez um dog desconhecido no parque. Abracei, dei carinho, e o dono disse em inglês irônico: "ele não tem carinho e casa por isso vem aqui para conseguir afeição alheia".  Eu respondi em inglês de turista, " Que nada, ele só quer fazer novos amigos. Como eu e meu amigo esquilo".

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