O primeiro qualquer coisa, a gente nunca esquece. Fato. Os últimos serão os primeiros! Dizem. Fato também?
Estréias são irresistíveis, a novidade é uma loucura. Amo as estréias de teatro por exemplo, mais do que as de cinema até, por vários motivos. Primeiro, porque quase sempre tem um boquetel = boca livre + coquetel. Comidinhas, bebidinhas e gente interessante, de graça, é legal. Segundo porque é glamuroso o fato de eu estar sendo parte da primeira sala a encher para assistir a peça antes de todo mundo da cidade. Tem os formadores de opinião, com comentários inteligentes e etc. Engraçado é que geralmente, as melhores apresentações são na verdade as últimas. Bem, estou sendo a última de meus amigos a fazer um blog. Este aqui. Faço primeiramente, por livre espontânea pressão social, profissional? E pessoal. Se todos tem porque eu não tenho também? Oras.
Sou a primeira filha de um jovem casal de músico com empresária, e a primeira neta de um também jovem casal de avós. Avós são avós, classificação universal. Minhas duas irmãs vieram depois que eu já estava grandinha, oque possibilitou-me ver bem a diferença de como é ser a primeira filha e a primeira neta em uma família. Cobaia. Isso mesmo. Oque não funcionou comigo, não foi usado nos seguintes, e oque funcionou foi repetido. Desde o fator genético até a educação deles (irmãs e primos) eu percebo que é bem mais elaborada, digamos assim. Devo lembrar a responsabilidade que carrega qualquer estreiante, de ser o exemplo, a referência no mínimo estilística para os seqüenciais que virão, conseqüentemente, após este primeiro.
Minha mãe diz que tudo na minha vida, eu demoro um pouco mais pra fazer. Fui a última das minhas primas e amigas a ficar “mocinha” (que termo brega, não achei outro). Serei a última das filhas a casar e ter bebês (que vergonha, elas são bem mais novas!).
Já repararam que o slogan de quase todas as estações de rádio, é “a primeira!” em alguma coisa? Também ainda não aprendi a cozinhar muito bem sozinha. Ainda estou aprendendo dirigir sem colocar em risco a vida dos outros e de todo trânsito a minha volta. É que eu muito me distraio no tempo ao redor...
Meu primeiro argumento crônico é o frio na barriga de qualquer estréia. O medo do julgamento quadruplica. É como entrar no mar. Você está na areia quentinha, a pele esturricada de sol, vê o mar chamando. Vai até ele que ela gela os seus pés. A água é fria que só... Você avista uma onda que está lá no fundo ainda, e pensa: quando aquela onda chegar aqui, eu furo de cabeça! E quando ela chega, você sai correndo para a areia que nem criança, rindo muito, é como cócegas. Então você volta aos poucos, devagarzinho. Esta cena se repete pela vida toda. Quando consegue superar a inércia e finalmente mergulha na água com tudo, no mar de meu Deus, nossa... Toma o primeiro fôlego. Agora é só sair nadando. Seu corpo já é outro. Você tem vontade de ir até a ilha do outro lado! Isso porque estava com medinho de molhar os pés... É quase como amar de verdade. Mas isso é outra história. A segunda? Pode ser, mas só agora já teve a primeira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário